Do crescimento ao parto: quatro pontos críticos no manejo de novilhas leiteiras
Novilhas não são vacas pequenas. Exigências nutricionais próprias, competição no lote e metas claras de peso e idade ao parto influenciam diretamente a produção na primeira lactação e o sucesso do rebanho.
Novilhas leiteiras tornaram-se um ativo altamente valorizado, em um cenário de oferta limitada. Ao mesmo tempo, a expansão do uso de cruzamentos beef-on-dairy reduziu o número de fêmeas disponíveis nas fazendas, já que esses bezerros cruzados vêm sendo comercializados com grande valorização logo nas primeiras semanas de vida.
Diante desse contexto, cada novilha prenhe prestes a ingressar no rebanho representa uma oportunidade estratégica para aprimorar o programa de recria e maximizar resultados produtivos.
Oportunidade 1: ganho médio diário
O ganho médio diário (GMD) é um indicador-chave no desenvolvimento das novilhas. Enquanto muitos gestores acompanham de perto a produção média de leite do rebanho, o crescimento das novilhas nem sempre recebe a mesma atenção.
Para novilhas holandesas, o GMD ideal varia entre 0,73 kg e 0,82 kg por dia (0,64 kg a 0,73 kg para Jersey). Antes dos 12 meses de idade, o ganho pode ser maior — entre 0,82 kg e 0,91 kg para holandesas — favorecendo o crescimento corporal e o acúmulo de proteína. Após os 12 meses, o ritmo de ganho tende a diminuir (0,68 kg a 0,77 kg), com maior deposição de gordura.
Monitorar esse desempenho é fundamental para garantir desenvolvimento adequado e boa preparação para a fase reprodutiva.
Oportunidade 2: idade e peso ao parto
Tamanho e idade ao primeiro parto impactam diretamente a produção na primeira lactação. O ideal é que as novilhas parem aos 23 meses, com aproximadamente 85% do peso corporal de uma vaca adulta do rebanho.
Partos acima de 24 meses exigem análise das causas. Falhas no protocolo reprodutivo, inseminação baseada apenas na idade — e não no tamanho — ou ganho de peso insuficiente podem atrasar a gestação.
Pesquisas indicam que novilhas que parem após os 24 meses tendem a produzir menos leite e podem apresentar maior incidência de edema de úbere. Além disso, se continuarem crescendo significativamente durante a primeira lactação, isso indica que o programa de recria não foi adequado. Nesses casos, parte dos nutrientes será direcionada ao crescimento, e não à produção de leite.
Oportunidade 3: nutrição no pré-parto
Novilhas pré-parto possuem exigências diferentes das vacas adultas. Elas ainda precisam ganhar cerca de 0,68 kg por dia, para continuar crescendo e sustentar o desenvolvimento da glândula mamária, do feto e a produção de colostro.
Quando novilhas prenhes e vacas mais velhas compartilham o mesmo lote, surgem desequilíbrios: as novilhas podem consumir menos nutrientes que o necessário ou as vacas adultas podem ganhar peso excessivo. O mesmo problema ocorre em sistemas com apenas um grupo de vacas secas.
A separação de novilhas secas e novilhas pré-parto permite ajustes mais precisos na dieta, adequação da ingestão de matéria seca e redução da competição. Estudos indicam ainda que novilhas não apresentam redução significativa de cálcio sanguíneo no pré-parto e, portanto, não necessitam de sais aniônicos ou ligantes de fósforo, o que reduz o custo da dieta nesse período.

Oportunidade 4: manejo pós-parto
Após o parto, manter um grupo exclusivo de novilhas favorece o consumo adequado de matéria seca. Por serem menores e menos dominantes, elas tendem a ingerir menos alimento quando agrupadas com vacas adultas.
Além disso, seu padrão alimentar difere — tanto na taxa de ingestão quanto na frequência e no tamanho das refeições. Recomenda-se que os lotes de novilhas recém-paridas operem com menos de 90% de ocupação, reduzindo a competição por espaço no cocho e nas camas.
As dietas devem apresentar maior densidade nutricional em comparação às vacas adultas, compensando a menor ingestão e o crescimento ainda em curso.
Novilhas apresentam exigências específicas que justificam manejo diferenciado, separação de grupos e formulação de dietas ajustadas ao crescimento e à futura produção de leite.
Como animais de reposição, permitem otimizar o descarte e elevar o padrão genético do rebanho. Quando bem manejadas, expressam melhor seu potencial produtivo e enfrentam menos desafios metabólicos ao longo da vida.
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.








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