Com colheita no ritmo e produção menor, vendas de arroz podem reagir

Sustentação das cotações tem relação direta com a disponibilidade reduzida no mercado

Com colheita no ritmo e produção menor, vendas de arroz podem reagir
Ilustrativa

A safra 2025/26 de arroz começou a sair do campo no Rio Grande do Sul há cerca de duas semanas, e o avanço da colheita já movimenta o principal polo produtor do país. Ainda assim, o mercado não mostra sinais de folga: os preços seguem em patamar firme e o volume de negociações, por enquanto, permanece apenas mediano.

Segundo dados divulgados pelo Cepea, a sustentação das cotações tem relação direta com a disponibilidade reduzida no mercado interno. A leitura é que a oferta curta, somada à perspectiva de uma safra menor no Brasil, limita qualquer pressão de queda mesmo com a entrada gradual do produto novo.

O comportamento dos negócios também reflete cautela entre compradores e vendedores. A liquidez moderada indica que as transações ocorrem, mas sem aquele ritmo típico de momentos de maior urgência para recomposição de estoques ou para escoamento acelerado da produção.

Pesquisadores do Cepea avaliam, no entanto, que esse cenário pode ganhar outra dinâmica com o avanço dos trabalhos de colheita. A expectativa é de que, nas próximas semanas, as vendas de arroz em casca e de arroz beneficiado aumentem, acompanhando o crescimento do fluxo de oferta ao longo da safra.

No quadro de produção, as estimativas oficiais reforçam o tom de atenção. De acordo com a Conab, a colheita nacional na temporada 2025/26 deve somar 10,91 milhões de toneladas, resultado 14,45% inferior ao do ciclo anterior.

Considerando ainda os estoques iniciais de 2,2 milhões de toneladas e uma importação prevista de 1,4 milhão de toneladas, a Conab projeta uma disponibilidade interna de 14,52 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda, o consumo interno é estimado em 10,8 milhões de toneladas (alta de 2,86%), enquanto as exportações devem atingir 2,1 milhões de toneladas.

Com esse balanço, a projeção é de estoques mais apertados adiante: os estoques de passagem em fevereiro de 2026 são estimados em 1,62 milhão de toneladas, segundo a Conab. Em um ambiente como esse, o mercado tende a acompanhar de perto o ritmo da colheita e a evolução das vendas, já que a oferta limitada continua sendo peça-chave para explicar a firmeza dos preços, segundo dados divulgados pelo Cepea.