“Europa precisa mais do Brasil do que o contrário”, diz Pedro Lupion

Presidente da FPA critica restrições impostas ao país, defende medidas de reciprocidade e cobra avanço nas negociações sobre endividamento rural e vacinas veterinárias

“Europa precisa mais do Brasil do que o contrário”, diz Pedro Lupion
Ilustrativa

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (Republicanos-PR),  afirmou durante o 4º Congresso Abramilho, nesta quarta-feira (13), em Brasília, que a União Europeia depende mais do agronegócio brasileiro do que o Brasil do mercado europeu e defendeu medidas de reciprocidade diante das restrições impostas pelo bloco ao setor agropecuário nacional.

Segundo Lupion, o movimento europeu tem forte viés comercial e busca proteger produtores locais da competitividade brasileira, principalmente no mercado de proteínas animais

“Eles precisam muito mais da gente do que a gente precisa deles. Nós exportamos 16% do que a gente exporta do agro para a Europa. Só para a China a gente exporta 52%”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que o Brasil já se preparou juridicamente para reagir caso as medidas avancem.

“Nós aprovamos a lei da reciprocidade, criamos salvaguardas no acordo e se for necessário retaliação nós faremos”, declarou.

Durante a entrevista, Lupion afirmou que a União Europeia historicamente cria barreiras contra o agro brasileiro e citou regras ambientais e comerciais impostas ao país nos últimos anos.

Entenda o caso

A União Europeia decidiu retirar o Brasil da relação de países habilitados a exportar animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco. A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026.

Segundo autoridades europeias, a decisão está relacionada à falta de garantias consideradas suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. As regras do bloco restringem o uso de antibióticos para estimular crescimento ou produtividade na pecuária.

Com a medida, o Brasil deixará de integrar a lista de países autorizados a exportar ao mercado europeu itens como carne bovina, aves, peixes, ovos, mel e animais vivos destinados à produção de alimentos.

Endividamento preocupa setor

Outro tema central da entrevista foi a crise financeira enfrentada pelos produtores rurais. Lupion afirmou que a bancada trabalha para viabilizar pelo menos R$ 130 bilhões para enfrentar o problema.

Segundo ele, o Ministério da Agricultura tem ajudado nas negociações dentro do governo, principalmente junto à área econômica.

“A Fazenda obviamente não tem interesse de gastar esse dinheiro todo e vamos buscar esse apoio não só no Ministério da Agricultura, como em outras pastas”, disse.

Vacinas veterinárias entram na mira

A escassez de imunizantes usados no combate a doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose também entrou na pauta da entrevista.

Lupion afirmou que fabricantes teriam segurado estoques de vacinas para pressionar preços no mercado. O parlamentar citou um volume de cerca de 14 milhões de doses e disse que o caso foi levado ao Ministério da Agricultura.

“Na semana passada, o Sindan, que é o sindicato dos medicamentos veterinários, já fez um pedido público de desculpas e começou a disponibilizar as doses”, afirmou.

Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses ocorreu principalmente após decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização dos imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026.

Segundo a pasta, foram liberadas 14,6 milhões de doses entre março e abril deste ano, sendo 63% de produção nacional e 37% importadas. O ministério também afirmou que trabalha para acelerar fiscalizações, importações e liberações de novos lotes.

Ainda de acordo com o governo federal, existe expectativa de autorização de mais 10 milhões de doses ainda em maio. Já o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal projeta entregas mensais entre 8 milhões e 10 milhões de doses até dezembro, podendo ultrapassar 100 milhões de unidades disponibilizadas ao mercado até o fim de 2026.