China vê parceria estratégica com Brasil para garantir segurança alimentar

Embaixador chinês destaca complementaridade entre os dois países, crescimento da demanda por alimentos e ampliação da cooperação agrícola e tecnológica

China vê parceria estratégica com Brasil para garantir segurança alimentar
Ilustrativa

O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, disse, durante a o 4º Congresso Abramilho, realizado em Brasília, que a China considera o Brasil um parceiro estratégico para fortalecer a segurança alimentar global diante do aumento da demanda por alimentos e das transformações no cenário econômico internacional.

Durante a participação no evento, o diplomata destacou a complementaridade entre os dois países no setor agropecuário e afirmou que a cooperação agrícola entre os dois países deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, tanto no comércio quanto em áreas ligadas à tecnologia e inovação no campo.

“A segurança alimentar é uma questão global que requer esforços conjuntos de todas as partes”, afirmou o embaixador.

Segundo Zhu Qingqiao, a China trata a segurança alimentar como prioridade estratégica e vem ampliando investimentos em modernização agrícola, irrigação, mecanização, biotecnologia e agricultura inteligente.

O diplomata afirmou ainda que o país busca aumentar a eficiência produtiva sem abrir mão da preservação das áreas agricultáveis. “O futuro da agricultura está na ciência e na tecnologia”, disse.

Ao falar sobre a relação com o Brasil, o embaixador afirmou que os dois países possuem “alta complementaridade” no agro. De um lado, a China concentra uma demanda crescente por alimentos; do outro, o Brasil reúne disponibilidade de terras, capacidade produtiva e tradição agrícola.

“Acho que essa complementaridade vai aumentar cada vez mais”, declarou.

Avanço

Zhu Qingqiao também ressaltou o avanço da parceria comercial entre os dois países no setor agropecuário. Segundo ele, a China é um dos principais destinos das exportações agrícolas brasileiras, enquanto o Brasil ampliou sua presença entre os fornecedores de produtos agropecuários para o mercado chinês.

O diplomata destacou ainda o avanço das exportações brasileiras de sorgo para a China após a assinatura dos protocolos fitossanitários entre os dois países, além do crescimento das compras chinesas de milho brasileiro.

De acordo com o embaixador, a tendência é de expansão contínua da demanda chinesa por alimentos, impulsionada pelo crescimento da renda da população e pela ampliação da classe média do país. “A população exige comida melhor e comida mais diversificada”, afirmou.

A população chinesa de renda média deverá crescer nos próximos anos, ampliando o consumo de proteínas, frutas, grãos e alimentos importados, de acordo com ele.

Além do comércio agrícola, Zhu Qingqiao afirmou que Brasil e China vêm aprofundando projetos conjuntos em áreas como mecanização voltada à agricultura familiar, agricultura inteligente, desenvolvimento de equipamentos agrícolas e biotecnologia.

“China e Brasil estão fazendo sinergia de desenvolvimento estratégico”, disse.

Ao encerrar a participação no congresso, o embaixador defendeu maior cooperação internacional diante das incertezas globais e afirmou que Brasil e China devem fortalecer a parceria em áreas estratégicas ligadas à inovação, sustentabilidade e produção de alimentos. “Temos que manter unidade e solidariedade”, declarou.