Novo selo premium promete turbinar o mercado de carnes especiais no Brasil

Estratégia, que tem o apoio científico da Embrapa, prevê o cruzamento de touros Angus com vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey

Novo selo premium promete turbinar o mercado de carnes especiais no Brasil
Ilustrativa

Não é de hoje que o consumidor brasileiro tem se deparado cada vez mais com opções de carnes diferenciadas nos supermercados e nos cardápios. E agora, o país pode ganhar um impulso ainda maior com um selo inédito desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

A novidade, batizada de Beef on Dairy, chega para redobrar a confiança em produtos de alta qualidade e criar um padrão de excelência para carnes premium produzidas no Brasil, elaboradas a partir do cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus.

A ideia é simples, mas tem grande potencial: um selo de certificação que identifica carnes que passaram por critérios rigorosos de produção, seleção científica de animais para cruzamento, qualidade e rastreabilidade, uma espécie de “passaporte de confiança” que ajuda o consumidor a escolher com mais segurança, distingue o produto no ponto de venda e valoriza o trabalho de pecuaristas, agroindústrias e frigoríficos que investem em diferenciação.

Uma prática comum entre outros países, como Estados Unidos, e que agora chega para ficar no Brasil.

Por que esse selo pode fazer diferença?

O novo selo foi pensado para atender a uma demanda crescente dos consumidores por carnes que vão além do padrão tradicional, produtos com características diferenciadas, origem transparente e garantias de bem-estar animal e sustentabilidade.

Esses aspectos já influenciam escolhas em mercados mais amadurecidos, e agora ganham um instrumento de credibilidade baseado em ciência e tecnologia nacional.

O selo se torna um referencial de qualidade que pode ser reconhecido tanto no mercado interno quanto em exportações, ajudando a abrir portas para nichos mais exigentes.

Como funciona o selo e para quem ele é útil

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, o selo poderá ser concedido a produtos que atendam a conjuntos de critérios técnicos relacionados à origem da carne, manejo do animal, padrões sanitários, composição e demais atributos específicos, ou seja, mais do que simplesmente uma marca bonita na embalagem, ele representa um atestado completo de qualidade.

Para o produtor, frigorífico ou marca que conquistar esse selo, a vantagem é dupla: além de diferenciar o produto no ponto de venda, abre-se espaço para posicionar a carne como premium em novos mercados, além de trabalhar com preços e margens melhores.

Segundo o site da Embrapa, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para o cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente maior.