Mapa propõe sistema de controle para cota chinesa de carne bovina em 2026
A proposta envolve a atuação coordenada do governo federal junto aos frigoríficos exportadores, com o objetivo de evitar desequilíbrios no mercado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sugeriu oficialmente, nesta quarta-feira (11), a criação de um sistema de administração da cota de 1,1 milhão de toneladas definida pela China para as exportações brasileiras de carne bovina em 2026. A proposta envolve a atuação coordenada do governo federal junto aos frigoríficos exportadores, com o objetivo de evitar desequilíbrios no mercado.
Segundo informações do Globo Rural, a sugestão foi formalizada por meio de ofício encaminhado à Câmara de Comércio Exterior (Camex). O tema deve entrar na pauta do Comitê Executivo de Gestão (Gecex), que tem reunião prevista para quinta-feira (12). No entanto, a expectativa é de que não haja deliberação imediata, diante da ausência de consenso entre os órgãos envolvidos.
A proposta em análise prevê que o controle da cota seja operacionalizado pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O mecanismo incluiria a emissão de licenças de exportação e o bloqueio automático de embarques que ultrapassem o volume autorizado dentro da cota.
No documento enviado à Camex, o Mapa alerta que a ausência de uma ação coordenada do governo diante da imposição chinesa pode gerar “forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva”. A pasta também menciona o risco de um “colapso de preços e de emprego no setor” pecuário, caso não haja um instrumento estatal para administrar o volume exportado.
Na avaliação do ministério, a falta de um controle oficial tende a estimular uma corrida entre os frigoríficos exportadores, que buscariam antecipar embarques para ocupar rapidamente a cota disponível. Esse movimento desordenado poderia intensificar a volatilidade do mercado e comprometer o planejamento da cadeia produtiva.

Pelas regras da salvaguarda adotada por Pequim, os embarques de carne bovina brasileira realizados dentro da cota de 1,1 milhão de toneladas estão sujeitos a uma tarifa de 12%. Já os volumes que excederem esse limite enfrentam uma taxação significativamente maior, de 67%, o que reduz a viabilidade econômica das exportações fora do teto estabelecido.
Diante desse cenário, a discussão sobre um modelo de gestão da cota ganha peso estratégico para o setor pecuário, que vê na China seu principal mercado externo e busca previsibilidade para manter fluxo comercial, preços e níveis de emprego ao longo de 2026.








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