Pesquisa oferece ao mercado cultivares de arroz para uso especiais na 36ª edição da Abertura da Colheita do Arroz

Embrapa lança cultivares especiais de arroz para nichos e maior rentabilidade

Pesquisa oferece ao mercado cultivares de arroz para uso especiais na 36ª edição da Abertura da Colheita do Arroz
Ilustrativa

A Embrapa Clima Temperado estará apresentando algumas opções de arroz irrigado de tipo especial durante a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas que se encontram disponíveis para plantio e comercialização com maior valor agregado que o arroz tradicional longo e fino (preferência de consumo do brasileiro). O produtor terá a oportunidade de assistir palestras técnicas no estande da Embrapa, bem como observar as cultivares nas vitrines tecnológicas onde se encontram semeadas. Também haverá o lançamento de uma nova cultivar, a BRS AS707, a primeira cultivar de arroz preto da Embrapa voltada à gastronomia.

Segundo os pesquisadores é historicamente concentrada a produção e comercialização do arroz longo e fino, atendendo as preferências de consumo. Com a saturação no mercado desses produtos com essas características, apresentou-se oscilações de preços e redução da rentabilidade ao produtor, assim a diversificação da produção e oferta, através do cultivo e consumo de tipos especiais de arroz, é estratégica para a sustentabilidade da cadeia produtiva do arroz. 

O pesquisador Ariano Martins de Magalhães Junior explica que o uso de arroz específico para a culinária japonesa, bem como de arroz com pericarpo preto e vermelho, representa uma oportunidade concreta de segmentação de mercado e agregação de valor ao produto. “Esses tipos especiais atendem nichos de consumo em expansão, impulsionados por mudanças nos hábitos alimentares, valorização da gastronomia internacional, busca por alimentos funcionais e maior interesse por produtos com apelo nutricional, cultural e sensorial diferenciado”, disse.

Arroz preto e vermelho, por exemplo, diz o pesquisador, que apresentam características nutricionais superiores, com maior teor de fibras, minerais e compostos bioativos, como antocianinas, o que os posiciona como alimentos associados à saúde e ao bem-estar. Já o arroz destinado à culinária japonesa possui especificações tecnológicas próprias, relacionadas à textura e ao teor de amido, atendendo a um mercado especializado e disposto a pagar preços mais elevados por qualidade e padronização.

A Embrapa recomenda a diversificação da oferta porque contribuirá diretamente para a redução da pressão sobre o mercado do arroz longo e fino, diminuindo excedentes, equilibrando a oferta e demanda e favorecendo a valorização do preço médio do grão. Além disso, ampliará as alternativas de comercialização para o produtor rural, reduzindo riscos econômicos e fortalecendo a sustentabilidade da atividade orizícola. “Incentivar tipos especiais de arroz promove inovação, diferenciação e competitividade da cadeia produtiva brasileira, alinhando-se às tendências de mercado e abrindo possibilidades tanto no mercado interno quanto em nichos de exportação”, considerou.

Cultivares semeadas nas vitrines tecnológicas

Os visitantes da Abertura da Colheita, neste ano, poderão circular pelo espaço da Embrapa para verificar materiais genéticos semeados a campo para uso especiais e alternativa de diversificação como a  cultivar BRS AG, um arroz irrigado desenvolvido pela Embrapa com foco na produção de álcool de cereais (bioetanol) e uso em alimentação animal, caracterizando-se por seus grãos muito grandes e elevado conteúdo de amido, eficiente para fermentação e produção de etanol, podendo gerar em média cerca de 430 litros de etanol por tonelada de grãos. 

Outra área disponível será com o cultivo da BRS 358, uma cultivar de arroz irrigado, indicada para a culinária japonesa, por apresentar grãos médios a curtos, de formato arredondado e baixo teor de amilose, resultando em textura macia, úmida e aderente após o cozimento, característica essencial para preparações como sushi e onigiri. Possui ciclo médio, boa adaptação às condições de cultivo em áreas de arroz irrigado no Sul do Brasil, porte baixo a médio, arquitetura moderna e resistência ao acamamento, além de bom potencial produtivo e desempenho satisfatório frente às principais doenças da cultura.

Uma parcela dedicada ao cultivo do arroz de pericarpo vermelho, a BRS 902, será mostrada no evento. A cultivar tem grãos de comprimento médio (~6,24 mm) e formato distinto dos padrões longo e fino, destacando-se por suas propriedades funcionais e culinárias, incluindo maior teor de compostos bioativos com atividade antioxidante, o que agrega valor nutricional ao produto; agronomicamente, apresenta ciclo médio, boa adaptação em sistemas de produção irrigada, produtividade competitiva (acima de ~7,5 t/ha em testes no Sul do Brasil), estatura reduzida com menor acamamento e elevado rendimento de grãos inteiros após beneficiamento.

Serão também apresentados os materiais da Embrapa já conhecidos, BRS Pampeira e Pampa CL. A BRS Pampeira por apresentar atualmente o maior teto produtivo, sendo responsiva à adubação, sem apresentar problemas de acamamento de plantas. Além disso, possui moderada resistência às principais enfermidades da cultura do arroz, reduzindo o número de aplicações de fungicidas nas lavouras. Produz mais de 12 toneladas por hectare. Já a BRS Pampa CL, é desenvolvida para o sistema Clearfield, uma das mais cultivadas no Rio Grande do Sul, tem boa resistência à brusone e a outras doenças, além de ser tolerante à toxidez por ferro. Possui ciclo precoce, em torno de 118 dias da emergência à maturação, excelente qualidade de grãos e elevado potencial produtivo - superior a onze toneladas por hectare. Alguns de seus pontos fortes: demanda 15% menos irrigação em comparação às cultivares de ciclos mais longos e precisa de apenas uma aplicação de fungicida, pois apresenta resistência genética a fungos. Esse diferencial impacta em uma economia de R$130,00 por hectare ao produtor.

Para conhecer esses materiais, todos os dias do evento será possível o visitante participar de visitas guiadas no espaço das vitrines tecnológicas, sempre das 7h30 às 12h.

Lançamento da cultivar de arroz preto

Também estará em exposição junto às vitrines tecnológicas, a nova cultivar lançada pela Embrapa para atendimento a nichos de mercado diferenciados, a BRS AE 707, com grãos com coloração preta intensa e presença de compostos bioativos com potencial antioxidante, anti-inflamatório e protetor contra doenças crônicas, atributos que ampliam seu valor nutricional e apelo funcional; de ciclo médio e com potencial produtivo competitivo, a BRS AS 707 combina desempenho agronômico satisfatório com características físicas e químicas do grão que favorecem a oferta de um produto diferenciado. O lançamento da cultivar acontecerá no dia 26 de fevereiro, às 14h15, no estande institucional da Embrapa,  conduzido pelo pesquisador José Manoel Colombari, da Embrapa Arroz e Feijão (Goiânia/GO). Nesta ocasião será feita a assinatura do acordo de cooperação técnica entre a Embrapa e a Federarroz sobre a realização permanente da Abertura da Colheita, na estrutura física da Embrapa, pelos próximos 10 anos.  

Estande da Embrapa continua com programação técnica

Ao longo das oito edições do evento nas dependências da Embrapa é oferecida uma programação técnica e neste ano não será diferente. Serão apresentados entre os dias 24 e 26 de fevereiro, uma agenda técnica conduzida por pesquisadores e parceiros, começando sempre às 9h30 e se estendendo até às 17h30. As atividades incluem quatro painéis temáticos, palestras e apresentações, com abordagens relacionadas a sistemas produtivos, manejo de culturas, bioinsumos e particularidades do arroz em áreas de terras baixas. A programação técnica será estruturada com denominações técnicas para cada dia do evento: o primeiro dia, 24, é dedicada aos assuntos da Integração Lavoura-Pecuária; o segundo dia, 25, será a vez das abordagens em  Diversificação de culturas e bioinsumos, e o último e terceiro dia, 26, será explorada a temática Usos do Arroz. Acesse horários, temas e palestrantes na programação completa dentro do estande da Embrapa em https://colheitadoarroz.com.br/programacao/ 

Embrapa participa da Programação Oficial 

Dentro do auditório Frederico Costa, onde acontece a programação oficial da 36ª Abertura da Colheita do Arroz, serão realizadas apresentações de integrantes e convidados da Embrapa. A primeira participação será do chefe-geral Leonardo Dutra no painel do dia 24, às 10h, que é o Painel inaugural da Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas - Cenário atual e perspectivas – conectando campo e mercado, ao dividir falas com o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, com o superintendente do Senar/RS, Eduardo Condorelli, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, e o presidente do Irga, Eduardo Bonotto.

No dia 25, às 10h, a pesquisadora Walkyria Bueno Scivittaro fará a moderação da palestra Arroz de Baixo Carbono: desafios e oportunidades de produzir com baixo impacto climático pelo professor da  Faculdade de Agronomia da UFRGS, Cimélio Bayer. Às 17h, o chefe-geral Leonardo Ferreira Dutra será o moderador da  Palestra Internacional – Arroz na Europa: variedade, mercado, tendências e consumo, com o melhorista genético e gourmet Massimo Biloni – IRES / Acquaverderiso (Itália) e por fim, no dia 26, às 14h, na Arena Digital, o pesquisador Danilo Santana falará no painel ILP em terras baixas: da produtividade à descarbonização, dividindo falas ao lado de Jackson Brilhante, do Plano ABC+RS / SEAPI, Andreza Cruz, da Rede ILPF, Cleiton José Ramão do IRGA e Ricardo de Figueiredo, da NETZero Brasil. A programação completa do evento pode ser conferida no site oficial do evento.

E também a Empresa se fará presente dentro do  Ato da Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que ocorrerá às 16h30, do dia 26, com a colheita das cultivares a campo na Lavoura Breno Prattes.

Homenagem Pá do Arroz

Dentro do evento, há um momento para o reconhecimento ao trabalho de profissionais, entidades, empresas e produtores para o setor arrozeiro. É um tempo do evento dedicado a aplaudir e homenagear a importância de todos que fazem a diferença dentro da cadeia arrozeira. Nesta edição, três figuras que pertenceram, e ainda pertencem, e fizeram história dentro da Embrapa  e dentro do setor arrozeiro receberão a condecoração da Federarroz: como técnico federal, Arlei Laerte Silva Terres, e os homenageados especiais, Luiz Fernando Cirne Lima e o pesquisador Elcio Guimarães. A cerimônia de entrega acontece dia 24, às 18h30min, no Auditório Frederico Costa, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão.