Pressão de oferta derruba preço da arroba do boi em parte do país

Mercado do boi gordo registra queda em importantes praças pecuárias, enquanto setor acompanha cenário das exportações e enfraquecimento do consumo no atacado

Pressão de oferta derruba preço da arroba do boi em parte do país
Ilustrativa

O mercado físico do boi gordo voltou a operar, ao longo da semana, com cotações estáveis a mais baixas em diferentes regiões do país, diante da pressão de oferta.

Até mesmo estados que vinham sustentando preços mais firmes, como Mato Grosso, segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, começaram a registrar movimento de queda.

De acordo com ele, nas praças onde a pressão baixista já havia sido mais intensa em abril, o cenário atual é de maior acomodação dos preços. A exceção, segundo o analista, é Minas Gerais, onde voltaram a ser observados negócios abaixo da referência média do mercado.

Iglesias destaca ainda que o setor segue atento ao cenário das exportações brasileiras, especialmente após recentes movimentações de importantes parceiros comerciais.

Entre os fatores monitorados estão a suspensão temporária das tarifas de importação de carnes pelos Estados Unidos, o anúncio da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países exportadores de proteínas animais a partir de 3 de setembro e a decisão da China de estabelecer salvaguardas com limite de importação de 1,106 milhão de toneladas neste ano — cota que deve ser preenchida até o fim do primeiro semestre.

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo estavam assim em 14 de maio:

São Paulo (Capital) – R$ 350,00 a arroba, inalterado frente à semana passada.

Goiás (Goiânia) – R$ 330,00 a arroba, queda de 2,94% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana anterior.

Minas Gerais (Uberaba) – R$ 335,00 a arroba, baixa de 1,47% perante os R$ 340,00 praticados no fechamento da semana passada.

Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 350,00 a arroba, sem mudanças frente ao encerramento da última semana.

Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, sem modificações frente ao fechamento da semana passada.

Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, estável perante o fechamento do mês anterior.

Atacado

No mercado atacadista, Iglesias observa que os preços voltaram a ceder ao longo da semana.

“O ambiente negócios sugere menor espaço para reajustes nos próximos dias, em linha com um perfil de consumo menos aquecido durante a segunda quinzena do mês. Além disso, a competitividade em relação às proteínas concorrentes segue problemática, em especial na comparação com a carne de frango”, avalia.

O quarto dianteiro foi cotado a R$ 21,50 por quilo, queda de 6,52% frente aos R$ 23,00 registrados no fechamento da semana passada. Já os cortes do traseiro bovino foram negociados a R$ 27,50 por quilo, baixa de 1,79% em relação aos R$ 28,00 da semana anterior.

Exportações

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram US$ 545,327 milhões em maio até o momento, considerando cinco dias úteis, com média diária de US$ 109,065 milhões.

O volume embarcado alcançou 85,883 mil toneladas, com média diária de 17,176 mil toneladas. O preço médio por tonelada ficou em US$ 6.349,60.

Na comparação com maio de 2025, houve avanço de 102% no valor médio diário exportado, crescimento de 65,5% na média diária de volume e alta de 22,1% no preço médio da tonelada, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.