Empresa faz pinto nascer sem a necessidade de ovo biológico

Colossal Biosciences se autodenomina 'a primeira empresa de desextinção do mundo'

Empresa faz pinto nascer sem a necessidade de ovo biológico
Ilustrativa

Foto: Colossal Biosciences

Fabricio Moretti

Goiânia, GO - Mais Goiás

Via EXTRA – Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? Essa questão que atrevessa os séculos pode estar com os dias contados. Uma empresa de bioengenharia pode ter criado o ovo antes da galinha. Nesta terça-feira (19/5), a Colossal Biosciences — que se autodenomina “a primeira empresa de desextinção do mundo” — anunciou que chocou pintinhos usando um ovo totalmente artificial.

A tecnologia é “uma plataforma de incubação inédita que permite o desenvolvimento completo do embrião de aves fora da casca de um ovo biológico, desde o estágio inicial até a eclosão, sem oxigênio suplementar”, segundo a empresa, sediada em Dallas (Texas, EUA).

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A Colossal afirmou em um comunicado à imprensa que o projeto do ovo artificial faz parte do trabalho da empresa para “desextintar” o moa-gigante-da-Ilha-Sul, a espécie de ave mais alta conhecida a caminhar sobre a Terra. Essas aves eram encontradas na Nova Zelândia antes de serem extintas no século XV.

Embora a primeira “cultura de aves sem casca” tenha sido tentada na década de 1980, as tecnologias anteriores exigiam grandes quantidades de oxigênio puro, o que danificava o DNA dos animais e sua saúde a longo prazo.

Empresa faz pinto nascer sem a necessidade de ovo biológico — Foto: Divulgação/Colossal Biosciences

“A equipe da Colossal resolveu esse problema projetando e desenvolvendo uma arquitetura de casca em forma de treliça que incorpora uma membrana inovadora à base de silicone bioengenheirada, cuja capacidade de transferência de oxigênio se iguala à de uma casca de ovo natural em condições atmosféricas normais, criada pela equipe de ciência de materiais da Colossal”, afirmou a companhia. “O novo ovo artificial recebe oxigênio suficiente por meio de uma “membrana inovadora em forma de treliça à base de silicone bioengenheirada que iguala e supera a capacidade de transferência de oxigênio de uma casca de ovo de galinha natural”, emendou.

A tecnologia permitiu à empresa chocar pintinhos saudáveis ​​e viáveis, e o design transparente do ovo artificial permite que os pesquisadores observem o embrião em tempo real.

A Colossal Biosciences está envolvida em vários projetos de “desextinção”. Um deles é do lobo gigante que inspirou os direwolves de “Game of Thrones”. Um ano após anunciar a desextinção do lobo-terrível, espécie desaparecida há cerca de 12 mil anos, a empresa de biotecnologia informou, em abril, que os três exemplares criados em laboratório já estão desenvolvidos o suficiente para se reproduzir. A novidade foi destacada pelo jornal britânico “The Telegraph”.

Em outra ousada iniciativa, a empresa levantou US$ 120 milhões (cerca de R$ 600 milhões) numa rodada de investimento para dar continuidade à “desextinção” do dodô, ave endêmica das Ilhas Maurício, extinta desde o século XVII.

Além dessas frentes revolucionárias, a Colossal Biosciences anunciou a criação de um gigantesco repositório genético que vem sendo apelidado de “cofre do fim do mundo”, concebido para preservar material biológico de milhares de espécies animais. O projeto prevê o armazenamento de DNA, células vivas e tecidos de até 10 mil espécies, incluindo animais ameaçados de extinção e até espécies já desaparecidas da natureza. A proposta é funcionar como uma espécie de “backup da vida”, reunindo informações genéticas que, em tese, poderiam ser usadas no futuro para pesquisas científicas, programas avançados de conservação ou intervenções biotecnológicas ainda em desenvolvimento.

O cofre será instalado em Dubai (Emirados Árabes Unidos), dentro do Museum of the Future, em parceria com autoridades do país do Oriente Médio. O local foi escolhido tanto pela infraestrutura tecnológica quanto pelo simbolismo: um museu dedicado ao futuro abrigando um projeto pensado para um cenário de colapso ambiental.