Carne bovina: exportações brasileiras podem enfrentar déficit de 67 mil t/mês

Rombo potencial resulta da soma entre as restrições da China (medidas de salvaguarda) e possível paralisação dos embarques ao Oriente Médio, analisa a Agrifatto

Carne bovina: exportações brasileiras podem enfrentar déficit de 67 mil t/mês
Ilustrativa

Em 2025, o Brasil exportou 205,57 mil toneladas de carne bovina ao conjunto de países do Oriente Médio – Irã, Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, Iêmen, Iraque, Omã e Emirados Árabes Unidos – afetados atualmente (diretamente ou indiretamente) pela guerra iniciada em 28 de fevereiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com apoio armamentista de Israel, informa a Agrifatto em relatório especial sobre o atual conflito enviado aos seus assinantes.

Considerando a média mensal embarcada, o Brasil enviou cerca de 17 mil toneladas de carne bovina para esses 10 países, o que corresponde a 5,62% da média mensal exportada em 2025, de 302,60 mil toneladas, acrescenta a consultoria.

Na avaliação da consultoria, as complicações comerciais envolvendo o mercado do Oriente Médio ganham ainda mais relevância quando considerado o atual contexto das cotas de importação da China, que desde o início deste ano vem aplicando medidas de salvaguardas aos principais fornecedores mundiais da proteína.

“Uma vez preenchidas essas cotas, estima-se um déficit potencial de aproximadamente 50 mil toneladas mensais no direcionamento das exportações brasileiras”, contabiliza a Agrifatto.

Somando com a média mensal enviada ao Oriente Médio, de 17 mil toneladas, continua a consultoria, as exportações brasileiras de carne bovina podem registrar um “rombo” de 67 mil toneladas/mês.

“Nesse cenário, caso os conflitos na região se prolonguem e comprometam os embarques para esses mercados, a redução potencial seria de cerca de 22% do volume exportado, com impacto direto sobre a formação de preços do boi gordo no mercado interno”, alerta a Agrifatto.

No entanto, diz a consultoria, dada a intensidade do conflito e dos ataques de EUA/Israel, é provável que o bloqueio logístico não perdure, especialmente porque já existe pressão chinesa para a liberação do Estreito de Ormuz, uma vez que o gigante asiático usa a passagem para importar petróleo do Oriente Médio.

Gado em pé entra na cota

Quando somadas as exportações de carne bovina e gado vivo ao grupo de países do Oriente Médio (318,87 mil cabeças), convertidas para quilograma líquido, o total enviado em 2025 alcança 338,09 mil toneladas, segundo a Agrifatto.

“Dentro desse volume, o gado em pé representa 39,20% do total e, em relação à participação sobre os embarques brasileiros dessas categorias, esse conjunto corresponde a 8,38% do total exportado”, calcula a consultoria.