Mercado do boi gordo recebe “banho de água fria” na 1º semana de março
Depois de um forte movimento da alta, as cotações da arroba recuam de maneira brusca, com destaque para os contratos futuros negociados na B3
As pastagens brasileiras têm recebido uma quantidade generosa de chuvas, o que favorece a manutenção da boiada nas fazendas – condição que eleva o poder de barganha dos produtores no momento da negociação dos lotes prontos. Porém, depois de um forte movimento de alta nos preços do boi gordo, os pecuaristas receberam “um banho de água fria” ao longo da primeira semana de março/26.
O período inicial do mês foi marcado por uma queda intensa nas cotações do boi gordo, tanto no mercado físico quanto no mercado futuro, relatam os analistas da Agrifatto.
No mercado físico, o indicador Datagro registrou queda semanal de 2,52%, encerrando a última sexta-feira cotado a R$ 344,09/@.
Na mesma direção, o mercado futuro também apresentou forte desvalorização: o contrato de março/26 fechou o pregão do dia 6/3 da B3 em baixa de 2,55% em relação à sexta-feira anterior (30/5), para R$ 344,05/@.
Por sua vez, os contratos de abril/26, maio/26 e junho/26 apresentaram quedas semanais ainda mais acentuadas, de – 2,94%, -5,24% e -3,13%, respectivamente, encerrando o último pregão cotados a R$ 336,80/@, R$ 334,55/@ e R$ 334,20/@.
“O que chama atenção no mercado atual é o forte deságio das cotações futuras em relação ao mercado físico”, observam os analistas da Agrifatto.
Segundo a consultoria, esse movimento sinaliza uma expectativa de desvalorização mais intensa, chegando a um deságio de -R$ 9,89/@ para o contrato de junho/26.
“Esse comportamento pode refletir a elevada incerteza do mercado quanto à entrada da safra de animais nos próximos meses, além das preocupações relacionadas às cotas de salvaguarda da China, que, nesse período do ano, costumam estar próximas de se esgotarem”, diz a Agrifatto, referindo-se à posição do contrato futuro do boi no fim do primeiro semestre.

Escalada do conflito no Oriente Médio
O principal motivo para o atual enfraquecimento nos preços internos do boi gordo é a crescente insegurança relacionada aos conflitos no Oriente Médio e à possibilidade de restrições no Estreito de Ormuz, aponta a Agrifatto.
Os países do Oriente Médio, informa a consultoria, representam 14,52% do volume total exportado pelo Brasil das três principais proteínas animais.
A carne de frango é a mais exposta a esse mercado, com 24,55% das exportações destinadas à região, tendo como principal destino os Emirados Árabes Unidos.
A carne bovina ocupa a segunda posição em volume embarcado, com esses mercados representando 5,66% do total exportado, liderados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos.
“A principal preocupação relacionada a uma possível restrição no Estreito de Ormuz está ligada ao petróleo, uma vez que cerca de 20% do comércio global da commodity passa por essa rota”, detalha a Agrifatto, acrescentando que o conflito tem impactado significativamente os custos de frete das exportações.








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