Produtor colhe mais, mas pode ganhar menos

Na soja, o Brasil segue central no comércio global

Produtor colhe mais, mas pode ganhar menos
Ilustrativa

O agronegócio brasileiro mantém alta capacidade produtiva, mas a rentabilidade depende de leitura ampla dos mercados. Segundo Ricardo leite, especialista em agronegócios, a safra de grãos 2025/26 está estimada pela Conab em cerca de 358 milhões de toneladas, com destaque para soja, milho, arroz, trigo, sorgo, feijão e algodão.

O volume reforça a força do país no campo, mas não garante margem. O cenário das commodities exige atenção a clima, câmbio, custos, estoques, exportações, demanda global e fundos nas bolsas.

Na soja, o Brasil segue central no comércio global, mas preços são sensíveis à relação entre China e Estados Unidos. Mudanças nas compras chinesas, prêmios de exportação ou competitividade entre origens podem alterar o mercado. No milho, a segunda safra é decisiva para abastecimento interno, exportações e etanol, enquanto plantio norte-americano e oferta sul-americana influenciam Chicago.

No algodão, o país ganha protagonismo internacional, embora siga exposto ao consumo global e à demanda asiática. No café, safra brasileira, colheita, estoques e exportações seguem determinantes. No trigo, clima nos Estados Unidos, oferta global, custos e concorrência do importado pesam sobre o plantio. No arroz, a safra nacional pressiona preços, com câmbio e mercado externo calibrando o movimento.

O produtor decide cada vez mais pela margem. Isso exige gestão de custos, planejamento comercial, proteção de preços, crédito, caixa e armazenagem. A produtividade segue como vantagem, mas a rentabilidade dependerá da qualidade da decisão.

“Em um ambiente de safras relevantes e mercados voláteis, a informação deixou de ser apenas acompanhamento. Passou a ser instrumento de gestão. A produtividade continuará sendo uma vantagem competitiva do agro brasileiro. Mas a rentabilidade dependerá, cada vez mais, da qualidade da decisão”, conclui.