Pecuária é vilã ou solução climática?
A pecuária, conforme a análise, não deve ser tratada como um sistema homogêneo
O debate sobre aquecimento global e pecuária exige uma abordagem técnica, capaz de considerar emissões, produtividade, manejo e os diferentes modelos de produção existentes no campo. A avaliação é de Clandio Ruviaro, consultor em Produção Agropecuária Sustentável, que defende uma análise baseada em ciência, ecoeficiência, sustentabilidade e Avaliação do Ciclo de Vida.
Segundo Ruviaro, o aquecimento global é real e exige ação imediata, e a agropecuária contribui para as emissões de gases de efeito estufa, especialmente metano, óxido nitroso e dióxido de carbono. No entanto, ele avalia que reduzir a discussão a uma leitura simplificada pode levar a conclusões incompletas e, muitas vezes, injustas com sistemas produtivos que já avançam em eficiência, manejo e sustentabilidade.
A pecuária, conforme a análise, não deve ser tratada como um sistema homogêneo. Os impactos variam de acordo com o manejo, a produtividade, a alimentação dos animais, o uso da terra e o tipo de sistema adotado. Por isso, medir apenas emissões absolutas pode não representar toda a realidade da produção, especialmente quando não se considera a emissão por unidade de produto e os possíveis ganhos ambientais obtidos por sistemas mais eficientes.
Nesse contexto, a Avaliação do Ciclo de Vida é apontada como uma ferramenta essencial para mensurar os impactos ambientais em toda a cadeia produtiva. A metodologia permite identificar pontos críticos, comparar alternativas e orientar decisões com base em evidências, incluindo etapas como produção de insumos, transporte, processamento, distribuição e uso.

Entre as principais fontes de emissões na pecuária estão a fermentação entérica, o manejo de dejetos, a produção de alimentos e insumos e o uso da terra. Ao mesmo tempo, caminhos de mitigação envolvem eficiência produtiva, nutrição adequada, recuperação de pastagens e solo, compostagem, biodigestão, integração entre atividades e monitoramento contínuo.
Para Ruviaro, a pecuária pode ser parte do problema, mas também parte da solução. Sistemas bem manejados podem reduzir emissões por unidade de produto, melhorar a rentabilidade, elevar a ecoeficiência e contribuir para uma agropecuária mais sustentável. A conclusão é que não basta medir emissões: é preciso compreender o sistema e transformar a produção com base em evidências.











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