Polícia investiga desaparecimento de sacas de café em cooperativa no Sul de Minas

Produtores relatam prejuízo milionário após sumiço de estoques e cobram respostas da Justiça

Polícia investiga desaparecimento de sacas de café em cooperativa no Sul de Minas
Ilustrativa

Produtores de café de Minas Gerais e São Paulo enfrentam uma crise sem precedentes após o desaparecimento de milhares de sacas que estavam armazenadas em uma cooperativa no Sul de Minas.

O caso é investigado pela Polícia Civil e envolve suspeitas de apropriação indevida, falhas de gestão e operações financeiras que podem ter colocado em risco o patrimônio de pequenos e médios cafeicultores.

Segundo as autoridades, mais de 20 mil sacas podem ter desaparecido dos estoques da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil). O prejuízo estimado ultrapassa R$ 130 milhões. Ao menos 180 produtores relatam perdas.

A Justiça decretou a prisão preventiva do presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros, que ainda não se apresentou. A defesa afirma que ele aguarda a análise de um pedido de habeas corpus e nega intenção de se ocultar.

Entre os produtores afetados está o casal Marcos Paulo da Silva e Kênia Lúcia Adriano.

Eles contam que haviam sido orientados a manter o café de melhor qualidade armazenado, enquanto vendiam o restante, na expectativa de negociar a produção em um momento mais favorável. As 56 sacas, avaliadas em cerca de R$ 150 mil, não foram localizadas.

“Tudo o que a gente tinha era esse café. A gente paga armazenagem, paga seguro. Não é favor. Agora, a gente nem sabe o que esperar”, afirma Marcos para EPTV, afiliada da TV Globo.

Kênia diz que a família enfrenta dificuldades para honrar compromissos financeiros. “A gente depende exclusivamente dessa produção. É o trabalho de uma vida inteira.”

Como foi

Segundo investigadores, parte do problema está ligada a operações financeiras firmadas em períodos de preços mais baixos, que se tornaram inviáveis após a valorização do café.

A apuração tenta esclarecer se estoques pertencentes aos cooperados foram mobilizados para sustentar compromissos da própria cooperativa, sem consentimento dos produtores.

A defesa de Faleiros sustenta que a situação foi agravada por eventos climáticos extremos, queda de produtividade e pelos impactos da pandemia.

Segundo os advogados, a cooperativa acumulou um passivo estimado em R$ 100 milhões e buscava uma solução para ressarcir os produtores.

Propostas apresentadas em assembleia, no entanto, foram rejeitadas pelos cooperados, que consideraram os valores inferiores aos praticados no mercado.

Agora, produtores buscam reparação judicial e defendem maior fiscalização sobre o funcionamento de cooperativas, tradicionalmente vistas como estruturas de proteção ao pequeno agricultor.

A Polícia Civil segue apurando o caso. Novas medidas judiciais, como bloqueio de bens e pedidos de ressarcimento, não estão descartadas.