Acordo Mercosul-UE cria mercado de US$ 22 trilhões e pode elevar exportações do Brasil
Tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e pode gerar aumento de até US$ 7 bilhões nas vendas brasileiras à Europa
Após 26 anos de negociações, representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia (UE) assinam, neste sábado (17), um acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas — 450 milhões na UE e aproximadamente 295 milhões no Mercosul.
Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a União Europeia, o tratado será assinado em Assunção, no Paraguai, país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.
A cerimônia de assinatura está prevista para as 12h15 (horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio — o mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, considerado o primeiro passo para a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), hoje composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a formalização do acordo comercial cria um mercado estimado em US$ 22 trilhões e pode resultar em um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.
Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul.
A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos.
A expectativa é que os efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, consolidando, ao final do processo, a maior zona de livre comércio do mundo.
Protagonismo político e impacto econômico
Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o resultado reflete um esforço político e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro.
“O presidente Lula teve um papel essencial. A Apex também, junto com o Itamaraty. Nosso escritório em Bruxelas trabalhou continuamente para esse resultado”, afirmou.
“A diplomacia brasileira muda de patamar”, acrescentou o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que estima em US$ 7 bilhões o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia.
Segundo Viana, o acordo representa uma conquista em um cenário internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global.

“Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, destacou.
“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, ressaltou o presidente da ApexBrasil, ao analisar o potencial econômico do tratado.
“É o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, só perde para a China, e o mais importante: é um comércio equilibrado, praticamente 50 a 50”, afirmou.
“A ApexBrasil se preparou e saiu na frente, buscando expansão do comércio com a Europa neste ano, em resposta ao tarifaço. Houve um aumento de 4% das exportações brasileiras para a região, e isso aumentará ainda mais”, acrescentou Aloysio Nunes.
Tramitação e previsão de vigência
Na quinta-feira (15), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse acreditar que o acordo comercial possa entrar em vigor ainda no segundo semestre deste ano.
“Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência”, afirmou Alckmin.
Resistências e protestos
Apesar de ser celebrado por governos e setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, que têm promovido protestos por temerem a concorrência de produtos sul-americanos.
Entre os principais pontos de preocupação está a eliminação de tarifas alfandegárias.








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