México corta a “tarifa zero” e impõe cotas à carne bovina e suína após anos de importação livre
Acima de 70 mil toneladas de boi a taxa vira 20 porcento e, no porco, 51 mil com 16 porcento no excedente, atingindo Brasil, UE e Chile
México muda regra da tarifa zero e impõe cotas para carne bovina e carne suína, afetando a exportação do Brasil e redesenhando o comércio regional.
O México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que limitam a importação de carne bovina e suína sem imposto, após anos de compra livre. Acima das cotas, entram tarifas de 20% no boi e 16% no porco.
O México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que encerram a importação sem limite com tarifa zero para carnes bovina e suína, criando cotas e cobrando imposto sobre o que exceder os volumes autorizados.
Antes, empresas do México podiam comprar esses alimentos do exterior com tarifa zerada independentemente da quantidade. Agora, as cotas atingem países fora da América do Norte e sem acordo de comércio com o México, o que deve direcionar o impacto para Brasil, Chile e União Europeia.
O que o México mudou nas importações de carne
As resoluções publicadas pelo México criam limites de importação com isenção de imposto e passam a taxar o volume excedente.
No caso da carne bovina, o México poderá importar 70 mil toneladas sem pagar tarifa. Tudo o que passar desse volume será taxado em 20%.
Para a carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas. O excedente pagará uma taxa de 16%.
A medida, segundo as informações divulgadas, vale até 31 de dezembro deste ano.
Por que Brasil, UE e Chile entram no radar
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) esclareceu que a cota é voltada a países de fora da América do Norte e com os quais o México ainda não tem acordo de comércio.
Nesse contexto, a entidade afirmou que a cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia.
No segmento de bovinos, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que aguarda orientações do governo mexicano sobre como será feita a distribuição das cotas.
O peso do México nas exportações brasileiras de carne
De janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo maior produto exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne suína foi o décimo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No recorte do setor de carne suína, de janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras, atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura, considerando o valor das compras.

Já na carne bovina, o México aparece como o quinto maior cliente do Brasil, atrás de China, EUA, União Europeia e Chile.
O que fica fora da mudança: frango segue com tarifa zerada
Apesar da alteração nas regras para bovinos e suínos, a ABPA informou que o frango continua com tarifa zerada no México, mantendo a condição do principal produto exportado pelo Brasil para o mercado mexicano.
China também anunciou limites para carne bovina
A medida do México foi divulgada dias depois de a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também anunciar limites de importação com o objetivo de proteger produtores locais.
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Segundo as informações citadas, a China criou cotas anuais por empresa para compras de carne de países estrangeiros, como o Brasil.
Hoje, importações de carne para a China têm taxa de 12%, e o que exceder as cotas terá sobretaxa de 55%.
As medidas começaram a valer em 1º de janeiro de 2026 e têm duração de três anos.
O Ministério do Comércio da China informou que a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas, com aumento ano a ano.
No México, a isenção de imposto para carne bovina e suína vinha do Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), iniciativa criada em 2022 para combater a alta dos preços dos alimentos.
A política foi prorrogada este ano, mas diversos produtos passaram a ter cotas e tarifas.








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