Piauí decreta emergência zoossanitária após caso de peste suína clássica

Medida ocorre em meio a um ano recorde para o setor, com exportações brasileiras somando 1,51 milhão de toneladas e US$ 3,6 bilhões em receita em 2025

Piauí decreta emergência zoossanitária após caso de peste suína clássica
Ilustrativa

O governo do Piauí decretou estado de emergência zoossanitária por 180 dias após a confirmação de um caso de Peste Suína Clássica (PSC)  no município de Porto, no Norte do Estado, a cerca de 170 quilômetros de Teresina.

A medida, publicada no Diário Oficial do Estado, tem como objetivo reforçar as ações de vigilância, controle e erradicação do agente viral, garantindo a segurança sanitária da suinocultura piauiense.

As ações estão sendo conduzidas pela Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) e pela Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi), conforme as diretrizes estabelecidas no decreto.

Segundo o governo estadual, já estão em curso todas as medidas necessárias para conter e eliminar eventuais focos da doença. O decreto permite a adoção de procedimentos excepcionais e amplia a capacidade de resposta das equipes técnicas em campo.

Com a decretação da emergência zoossanitária, a movimentação de suínos e de produtos considerados de risco dentro da área abrangida passa a obedecer a normas e procedimentos específicos, definidos pelas autoridades sanitárias.

As regras têm como finalidade evitar a disseminação do vírus e assegurar a efetividade das ações de controle.

"Ressaltamos que criadores que observarem qualquer anormalidade nos suínos informe imediatamente à Sada e a Adapi, não omitam qualquer informação, para que sejam adotados os protocolados necessários. O criador será ressarcido em caso de detecção da doença. A omissão é crime e resulta em multas e penalidades”, ressalta o secretário da Sada, Fábio Abreu.

De acordo com o gestor, cabe à Adapi a aquisição dos insumos necessários para a execução das medidas sanitárias, fortalecendo a capacidade de resposta do Estado diante da emergência.

Em nota, a Sada e a Adapi reforçam que todas as ações seguem protocolos técnicos rigorosos e contam com equipes especializadas, com foco na proteção do rebanho suíno, na preservação da atividade produtiva e na manutenção da sanidade animal no Piauí.

Segundo o secretário de Comércio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, o caso confirmado no Piauí não traz impactos para o comércio exterior. “Não afeta”, garantiu ao Agro Estadão.

O que é a Peste Suína Clássica 

A Peste Suína Clássica (PSC), também conhecida como febre suína ou cólera dos porcos, é uma doença viral altamente contagiosa que atinge exclusivamente suínos e javalis. A enfermidade não oferece riscos à saúde humana e não tem impacto na saúde pública. 

Apesar disso, a PSC provoca relevantes prejuízos econômicos e sociais, em razão da mortalidade dos animais, das perdas produtivas e dos custos associados às ações de controle e erradicação, além de restrições impostas por países importadores. 

Entre os principais sintomas estão febre alta, lesões avermelhadas na pele, conjuntivite, falta de apetite, fraqueza, diarreia e aborto. 

Diferença entre PSC e Peste Suína Africana 

Tanto a Peste Suína Clássica quanto a Peste Suína Africana (PSA) são doenças virais graves que causam grandes perdas econômicas à suinocultura. No entanto, são provocadas por vírus distintos.

A PSC é causada por um vírus da família Flaviviridae, gênero Pestivirus, com genoma RNA. Já a PSA é provocada por um vírus DNA da família Asfarviridae, gênero Asfivirus. 

As duas enfermidades apresentam sintomas clínicos semelhantes, o que torna indispensável o diagnóstico laboratorial para a diferenciação. 

O Brasil é reconhecido internacionalmente como livre de Peste Suína Africana desde 1988, com certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Esse status sanitário é considerado estratégico para o acesso a mercados exigentes, como Singapura, e para a ampliação do comércio internacional. 

A PSA também não representa risco à saúde humana, mas pode causar severas perdas econômicas à cadeia produtiva da carne suína. 

Exportações de carne suína crescem em 2025 

Mesmo diante de alertas sanitários pontuais, as exportações brasileiras de carne suína encerraram 2025 com crescimento expressivo. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)  indicam que os embarques totalizaram 1,510 milhão de toneladas ao longo do ano, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, quando somaram 1,352 milhão de toneladas.

O resultado representa um recorde histórico para o setor. 

Com esse desempenho, o Brasil deve superar o Canadá e assumir a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.

O bom resultado foi impulsionado pelo desempenho de dezembro, quando os embarques alcançaram 137,8 mil toneladas, alta de 25,8% em relação ao mesmo mês de 2024. 

Em receita, as exportações somaram US$ 3,619 bilhões em 2025, crescimento de 19,3% frente aos US$ 3,033 bilhões registrados no ano anterior. Apenas em dezembro, o faturamento chegou a US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% na comparação anual. 

Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, alta de 54,5% em relação a 2024. Na sequência aparecem:

China, com 159,2 mil toneladas (-33,9%),

Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%),

Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e

Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%). 

“Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.