Brasil bate recordes na pecuária em 2025 com alta em abates, leite, ovos e couro

Abate de bovinos, frangos e suínos atinge maior nível da série histórica, enquanto produção de leite, ovos e couro também registra crescimento e novos recordes no país

Brasil bate recordes na pecuária em 2025 com alta em abates, leite, ovos e couro
Ilustrativa

O Brasil alcançou, em 2025, os maiores volumes da série histórica em diversos segmentos da pecuária, com recordes no abate de bovinos, frangos e suínos, além da produção de leite, ovos e couro.

Os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais no acumulado de 2025, divulgados hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam avanço consistente da atividade, com crescimento disseminado entre estados e cadeias produtivas.

No total, foram abatidas 42,94 milhões de cabeças de bovinos, alta de 8,2% em relação a 2024 — até então o maior resultado da série. O movimento reforça a tendência de crescimento observada desde 2022.

O abate de frangos também renovou o recorde histórico, com 6,69 bilhões de cabeças, avanço de 3,1% (+201,34 milhões) frente ao ano anterior. Já o abate de suínos somou 60,69 milhões de cabeças, crescimento de 4,3% (+2,51 milhões), também no maior patamar da série.

Na produção, a aquisição de leite cru atingiu 27,51 bilhões de litros, aumento de 8,5% sobre 2024 e terceiro ano consecutivo de expansão.

A produção de ovos de galinha chegou a 4,95 bilhões de dúzias, alta de 5,7%, mantendo uma sequência ininterrupta de recordes iniciada em 1998.

Já o setor de couro registrou a recepção de 44,03 milhões de peças inteiras de couro cru bovino, volume 9,8% superior ao de 2024 e o maior já registrado.

Avanço também se mantém no quarto trimestre 

No quarto trimestre de 2025, os principais indicadores mantiveram desempenho positivo na comparação anual.

O abate de bovinos cresceu 14% frente ao mesmo período de 2024, embora tenha recuado 2,7% em relação ao trimestre anterior, totalizando 11,04 milhões de cabeças.

O abate de frangos somou 1,71 bilhão de cabeças, com alta de 5,7% na comparação anual e de 1,5% frente ao terceiro trimestre. Já os suínos atingiram 15,29 milhões de cabeças, aumento de 5,8% em relação ao mesmo período de 2024, mas queda de 3,5% na margem.

Na produção, a aquisição de leite chegou a 7,36 bilhões de litros no trimestre, avanço de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024 e de 3,9% frente ao trimestre anterior — o maior volume já registrado para um quarto trimestre.

A produção de ovos atingiu 1,26 bilhão de dúzias, com alta de 4,1% na comparação anual e de 1,5% frente ao trimestre imediatamente anterior. Já o recebimento de couro somou 11,13 milhões de peças, aumento de 11,8% em relação ao mesmo período de 2024, com recuo de 2,4% na comparação trimestral.

Abate de bovinos mantém trajetória de alta

Pelo segundo ano consecutivo, o abate de bovinos atingiu o maior nível da série histórica. Em 2025, foram 42,94 milhões de cabeças sob inspeção sanitária, com crescimento em todos os trimestres do ano.

O destaque ficou para o avanço do abate de fêmeas, que cresceu 18,2% e alcançou participação recorde de 46,8%.

De acordo com a gerente de Pecuária do IBGE, Angela Lordão, o desempenho do setor foi impulsionado por múltiplos fatores.

“O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças de toda a série histórica. Um dos pontos determinantes foi a participação de fêmeas, que atingiu o recorde de 46,8% e chegou a superar o abate de machos no segundo trimestre. Esse cenário, favorecido pelo recorde nas exportações e pela forte demanda interna, resultou em preços melhores para o setor. Além disso, observou-se um aumento expressivo no abate de animais jovens de até 2 anos, com destaque para as novilhas, que representaram 78% das 8,4 milhões de cabeças registradas nessa categoria”, explicou.

O crescimento de 3,25 milhões de cabeças no comparativo anual foi puxado por avanços em 26 das 27 unidades da federação. Entre os principais destaques estão São Paulo (+629,22 mil cabeças), Pará (+472,77 mil), Rondônia (+364,43 mil cabeças), Goiás (+244,87 mil), Mato Grosso (+199,21 mil) e Mato Grosso do Sul (+175,09 mil).

Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 17,1% de participação, seguido por São Paulo (11,1%) e Goiás (9,9%).

Frango e suíno seguem em expansão 

O abate de frangos consolidou novo recorde em 2025, superando o resultado já histórico de 2024. O avanço foi observado em 23 das 26 unidades da federação participantes da pesquisa.

Paraná manteve ampla liderança, com 34,4% do total nacional, seguido por Santa Catarina (13,7%), Rio Grande do Sul (11,4%) e São Paulo (11,3%).

No caso dos suínos, o crescimento foi impulsionado por avanços em 15 estados, com destaque para Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Santa Catarina seguiu como principal polo, com 28,2% do abate nacional.

Angela Lordão destacou o papel das exportações e da redução de custos na sustentação do setor.

“O desempenho foi sustentado por recorde nas exportações de carne suína, tendo as Filipinas como principal destino ao absorver 25,8% do volume embarcado. Paralelamente, no mercado interno, apesar da oferta recorde, os preços da proteína permaneceram firmes e em patamares elevados. Esse cenário, combinado com a redução dos custos com a ração, com a supersafra de grãos, permitiu o equilíbrio das margens e incentivou o setor ao longo do ano”. 

Leite, ovos e couro também renovam máximas

A captação de leite avançou em 21 das 26 unidades da federação, com destaque para Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Minas Gerais permaneceu na liderança nacional, com 23,9% da captação.

Apesar do aumento no volume, o preço médio do leite caiu. Em 2025, ficou em torno de R$ 2,56 por litro, recuo de 1,9% frente a 2024 (R$ 2,61). No quarto trimestre, a queda foi ainda mais acentuada, com média de R$ 2,21, redução de 19,9% na comparação anual.

Marcelo Souza de Oliveira, supervisor da pesquisa, detalha que o salto na produção de leite em 2025 foi o maior já visto na série histórica da pesquisa.

“Na aquisição de leite cru pelas indústrias, o incremento de 2,15 bilhões de litros entre 2024 e 2025 foi o maior já registrado na série histórica da pesquisa, superando o recorde de crescimento anterior (2004/2005), que era de 1,79 bilhão de litros”. Angela Lordão acrescenta que “todas as grandes regiões apresentaram aumento, com destaque para o Sul e para o Nordeste, que ampliaram sua participação. Entretanto, esse salto na oferta, somado ao volume importado, pressionou as cotações ao produtor”.

Na produção de ovos, o crescimento foi puxado por 25 das 26 unidades da federação, com destaque para Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. São Paulo liderou o ranking, com 25,2% da produção nacional, seguido por Minas Gerais (9,9%), Paraná (9,6%) e Espírito Santo (7,7%).

Do total produzido, 82,4% dos ovos foram destinados ao consumo, enquanto 17,6% seguiram para incubação.

Já o setor de couro registrou expansão em nove das 17 unidades da federação, com destaque para Goiás, Rio Grande do Sul e Rondônia. Goiás liderou o ranking nacional, com 19,4% de participação, seguido por Mato Grosso (15,6%) e Mato Grosso do Sul (11,7%).

“O volume processado em 2025 superou o recorde anterior, que perdurava desde 2006, refletindo a alta disponibilidade de matéria-prima no mercado nacional”, destacou Angela Lordão.