Lupion diz que FPA voltou a construir “ponte de trabalho” com Mapa

Presidente da FPA afirma que relação com o Ministério da Agricultura avançou nos últimos meses com a entrada de André de Paula

Lupion diz que FPA voltou a construir “ponte de trabalho” com Mapa
Ilustrativa

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a relação entre a bancada ruralista e o atual comando do Ministério da Agricultura e Pecuária melhorou nos últimos meses, com avanço no diálogo institucional e em pautas consideradas prioritárias para o setor.

Segundo Lupion, a aproximação com a entrada de André de Paula no comando do Mapa  permitiu acelerar discussões sobre endividamento rural, protocolos sanitários e o desabastecimento de vacinas veterinárias.

“É uma pessoa do parlamento, é um deputado federal como nós. Nós temos uma relação antiga, até porque a origem dele é na direita também. É uma pessoa com quem eu tenho uma relação transparente. Ele sabe que quando errar a FPA vai criticar, quando acertar a FPA vai elogiar”, afirmou.

O parlamentar também disse que o ambiente de interlocução mudou em comparação à gestão anterior, comandada por Carlos Fávaro (PSD), que deixou o ministério para concorrer ao Senado por Mato Grosso. “Agora tem gente que entende o jogo, tem gente que não entende o jogo. Infelizmente com o ministro anterior a gente não conseguia ter essa relação”, declarou.

Para Lupion, a aproximação entre a FPA e o ministério deixou de ser apenas política e passou a produzir resultados práticos para o setor.

“Essa ponte que sempre cobraram que a gente conseguisse criar, a gente conseguiu ter. Não é uma questão de demonstração política, mas uma ponte de trabalho que efetivamente bote o Ministério da Agricultura de volta com o protagonismo que merece”, afirmou.

De acordo com Lupion, reuniões recentes no ministério destravaram avanços em temas considerados urgentes pelo setor agropecuário, incluindo negociações sobre crédito rural e medidas relacionadas ao Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite).

“Ontem (terça-feira) mesmo tivemos reuniões super importantes no ministério, avançamos muito na questão do endividamento. A questão do Prodes também teve bom resultado. Com o nosso alerta, o ministério agiu rapidamente e nós conseguimos avançar nesses protocolos”, afirmou.

Lupion afirmou ainda que o governo passou a apoiar a busca por novas fontes de recursos para enfrentar a crise financeira no campo. O parlamentar afirmou que a bancada trabalha para viabilizar pelo menos R$ 130 bilhões para enfrentar o problema.

O Ministério da Agricultura, segundo ele, tem ajudado nas negociações dentro do governo, principalmente junto à área econômica.

“A Fazenda obviamente não tem interesse de gastar esse dinheiro todo e vamos buscar esse apoio não só no Ministério da Agricultura, como em outras pastas”, disse.

Vacinas veterinárias viram exemplo da aproximação entre FPA e Mapa

A escassez de imunizantes usados no combate a doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose também entrou na pauta da entrevista. O desabastecimento tem gerado preocupação entre produtores rurais, principalmente diante do risco sanitário para os rebanhos e do aumento dos custos no campo.

Lupion afirmou que fabricantes teriam segurado estoques de vacinas para pressionar preços no mercado. O parlamentar citou um volume de cerca de 14 milhões de doses e disse que o caso foi levado ao ministério.

“Na semana passada, o Sindan, que é o sindicato dos medicamentos veterinários, já fez um pedido público de desculpas e começou a disponibilizar as doses”, acrescentou.

Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses ocorreu principalmente após decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização dos imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026.

Segundo a pasta, foram liberadas 14,6 milhões de doses entre março e abril deste ano, sendo 63% de produção nacional e 37% importadas. O ministério também afirmou que trabalha para acelerar fiscalizações, importações e liberações de novos lotes.

Ainda de acordo com o governo federal, existe expectativa de autorização de mais 10 milhões de doses ainda em maio. Já o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal projeta entregas mensais entre 8 milhões e 10 milhões de doses até dezembro, podendo ultrapassar 100 milhões de unidades disponibilizadas ao mercado até o fim de 2026.