Exército Brasileiro ativa pelotões de Defesa Biológica e Nuclear em todo o país
Portaria determina implementação de pelotões de defesa química, biológica, radiológica e nuclear em todos os Comandos Militares.
Medida acende um alerta para possíveis guerras invisiveis.
O Exército Brasileiro acaba de oficializar uma mudança de postura que mexe diretamente com a segurança do território nacional e, consequentemente, com a tranquilidade de quem produz no interior do país. A nova diretriz, assinada pelo General de Exército Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves, Comandante de Operações Terrestres, coloca as ameaças de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) no radar de prontidão permanente, descentralizando o que antes era restrito a unidades de elite.

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
Não estamos falando apenas de “coisa de cinema” ou guerra em outros continentes; estamos falando de proteção da nossa água, do nosso solo e da logística de escoamento contra sabotagens ou incidentes graves.
Exército ativa pelotões DQBRN
O Exército Brasileiro deu um passo decisivo para reforçar a segurança nacional ao implementar Pelotões de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) em todos os Comandos Militares de Área do país. A medida, oficializada pela Portaria nº 643/26-COTER, amplia a capacidade de resposta da Força Terrestre diante de ameaças invisíveis que podem comprometer pessoas, equipamentos e áreas afetadas.

Historicamente, o Brasil concentrava sua expertise em defesa química e biológica em unidades muito específicas, como o 1º Batalhão de DQBRN no Rio de Janeiro. Agora, a ordem do Comando de Operações Terrestres é clara: “aproveitar-se da capilaridade e da aquisição de meios provenientes do desdobramento da Força Terrestre, em todo o território nacional“. Na prática, o Exército quer um Pelotão DQBRN em cada Comando Militar de Área e, se possível, um por brigada.
Essa capilaridade é uma resposta estratégica à vulnerabilidade das nossas fronteiras e grandes áreas de produção. Imagine o impacto de um incidente biológico ou químico em uma região de grande concentração de pivôs centrais ou em um porto de escoamento de grãos. A resposta agora será regionalizada, com tropas locais já capacitadas para o primeiro atendimento, o que o Exército chama de Forças de Resposta Inicial (FRI).

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
A decisão não é apenas burocrática, é uma ordem a ser cumprida. Enquanto o mundo observa com apreensão o uso de tecnologias híbridas e ameaças não convencionais em conflitos recentes, os militares brasileiros aceleram sua capacidade de resposta para um tipo de combate onde o inimigo pode ser um agente químico silencioso ou um vírus manipulado. DQBRN é a sigla para Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, áreas que envolvem ameaças invisíveis, como gases tóxicos, vírus manipulados, contaminação radioativa ou material nuclear.
Unidades especializadas preparadas para o pior cenário
Documentos do Comando de Operações Terrestres detalham a criação das Forças de Resposta Inicial em todo o território nacional. A meta é bastante audaciosa: capacitar e ativar, permanentemente, a dosagem mínima de um Pel DQBRN por Comando Militar de Área, sendo desejável, se possível, um por brigada priorizando as Forças de Emprego Estratégico. Esta descentralização é uma resposta direta à necessidade de proteger o território contra sabotagens ou ataques em um cenário de guerra total ou situações de não guerra.

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
O cronograma de adestramento e avaliação já está definido em um sistema de rodízio trianual. Entre 2026 e os anos seguintes, unidades de elite como o 1º Batalhão de DQBRN e a Companhia de DQBRN/COpEsp conduzirão estágios e avaliações nos diversos Comandos Militares. Por exemplo, no Ano A, o foco de avaliação do 1º Btl DQBRN será nos Comandos Militares do Leste e do Sul. Ao fortalecer o SisDQBRNEx, o Brasil envia um recado necessário: o país está se equipando para enfrentar ameaças químicas, biológicas ou radiológicas em qualquer parte do território.

A defesa do solo e da água em cenários de não guerra
Muitos se perguntam: “Mas o Brasil vai entrar em guerra?”. A diretriz do General Costa Neves é específica ao citar que o preparo é para situações de “guerra e para o apoio em situação de não guerra”. No cotidiano do agronegócio, isso se traduz em proteção contra crimes ambientais de larga escala, ataques biológicos às lavouras ou contaminação criminosa de mananciais.

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
O Exército está reformulando sua doutrina para que a tropa esteja pronta para agir “sob as condições mais hostis possíveis“. Esses novos pelotões terão o que chamamos de “emprego dual“. Isso quer dizer que o soldado que está ali na sua região, vigiando a fronteira ou auxiliando em operações de logística, agora terá treinamento para realizar o reconhecimento, a vigilância e a descontaminação especializada de áreas atingidas por agentes tóxicos.
“...apoio de DQBRN aos Planos de Emprego Estratégico Conjunto das Forças Armadas (PEECFA), em situação de guerra e para o apoio em situação de não guerra.”
Por que o produtor rural deve acompanhar esse movimento

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
A gente sabe que porteira para dentro o manejo é com o produtor, mas da porteira para fora, a segurança biológica do país é uma questão de soberania alimentar. O cronograma de adestramento já está batendo na porta. A partir de 2026, unidades de elite conduzirão estágios e avaliações rigorosas em todo o país. O “Ano A” de avaliações, por exemplo, vai focar pesado nos Comandos Militares do Leste (CML) e do Sul (CMS), áreas onde o agronegócio é o motor da economia.
Essa descentralização busca “multiplicar forças, em termos de pessoal capacitado para realizar ações DQBRN em prol da sociedade brasileira“. Para quem vive do campo, ter uma unidade militar próxima que saiba lidar com contaminação química ou biológica é um seguro de vida para o patrimônio. Se um fertilizante ou defensivo de alta toxicidade sofrer um desvio ou acidente em larga escala, ou se houver uma ameaça real de sabotagem na infraestrutura logística, a resposta não virá mais de Brasília ou do Rio; ela virá da brigada mais próxima.

Foto: Treinamento do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.
A Geopolítica da sobrevivência não é só sobre mísseis, é sobre manter o ar, a água e o solo produtivos. O Exército Brasileiro deu o passo para garantir que, se o pior cenário acontecer, a gente tenha quem saiba descontaminar a área e manter o país rodando.
*com informações da Sociedade Militar








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