Arroz dispara nas exportações, mas há um problema

Os dados recentes reforçam esse cenário

Arroz dispara nas exportações, mas há um problema
Ilustrativa

As exportações brasileiras de arroz no ciclo 2025/26 indicam uma mudança relevante no posicionamento do país no mercado internacional, com avanço expressivo nos volumes embarcados. A análise é de Evandro O., consultor de mercado, e aponta uma transformação estrutural no perfil das vendas externas.

O Brasil vem consolidando uma migração de exportador de valor para exportador de volume, movimento visível na composição dos embarques. A participação do arroz em casca saiu de cerca de 19% para mais de 40% ao longo da última década, refletindo limitações ligadas a custos e à estrutura produtiva.

Os dados recentes reforçam esse cenário. Em janeiro de 2026, os embarques superaram 229 mil toneladas, enquanto fevereiro registrou quase 215 mil toneladas. O ritmo é elevado, mas a captura de valor permanece restrita, já que o país exporta principalmente o que encontra demanda.

Nos quebrados, o desempenho é eficiente, com aproveitamento de produtos rejeitados no mercado interno e envio para a África. Já em mercados mais exigentes, como o Peru, há necessidade de maior padrão de qualidade, com baixo índice de quebrados e mais investimento.

Outro ponto é a concentração em destinos de maior risco, como a Venezuela, onde decisões políticas podem afetar o fluxo comercial. Persistem ainda entraves como custo elevado na origem, barreiras tarifárias e limitações logísticas.

Apesar disso, há avanços em mercados emergentes e reconhecimento de qualidade em destinos como a Costa Rica. O país cresce em volume, mas ainda enfrenta desafios para ampliar o valor agregado.