Chuvas, calor e corredores de umidade mantêm Brasil em alerta
Defesa Civil alerta para temporais em São Paulo, enquanto corredores de umidade e calor elevado influenciam o clima no país
A atuação de sistemas atmosféricos típicos do verão, aliada ao calor intenso e à elevada umidade do ar, mantém grande parte do Brasil em alerta ao longo de fevereiro de 2026.
A previsão indica chuvas frequentes, temporais localizados e temperaturas acima da média em diversas regiões do país.
Em São Paulo, a Defesa Civil do Estado de São Paulo já emitiu alerta para chuvas persistentes entre esta segunda-feira (2) e terça-feira (3), com risco de descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo em pontos isolados.
Segundo a Defesa Civil paulista, a passagem de um sistema meteorológico próximo ao território do estado deve provocar precipitações mais duradouras, principalmente na terça-feira, quando as chuvas mais fortes devem se concentrar no oeste paulista, próximo à divisa com o Paraná.
Os modelos meteorológicos indicam acumulados expressivos de chuva, com variação conforme a região.
O risco é considerado muito alto no Vale do Ribeira e na região de Itapeva; alto nas regiões de Sorocaba e Bauru; e médio na região de Marília, na Região Metropolitana da capital paulista, na Baixada Santista, no Litoral Norte, na Serra da Mantiqueira e nas regiões de Campinas, Presidente Prudente, Araraquara, São José do Rio Preto, Araçatuba, Ribeirão Preto, Barretos e Franca.
Diante do cenário, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) manterá plantão 24 horas durante o período.
O Gabinete de Crise seguirá operando em formato remoto, com todas as concessionárias mobilizadas, podendo ser transferido para a modalidade presencial em caso de agravamento das chuvas.
Fevereiro é historicamente um mês quente e abafado no Brasil.
O calor acumulado desde o fim da primavera mantém a atmosfera aquecida, enquanto as frentes frias típicas deste período raramente conseguem avançar para o interior do país. Com a combinação de altas temperaturas e grande disponibilidade de umidade, as nuvens carregadas se formam com facilidade, favorecendo a ocorrência de temporais em praticamente todo o território nacional.
Zona de Convergência do Atlântico Sul
Ao longo do mês, podem se formar episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema responsável por chuvas volumosas e persistentes em áreas do Norte, Centro-Oeste e Sudeste.
Também é comum, em fevereiro, o fortalecimento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que passa a atuar com mais intensidade sobre a faixa norte do país, levando chuva frequente para áreas do Norte e do Nordeste.
Do ponto de vista dos grandes fenômenos climáticos, o La Niña, que atuou com fraca intensidade desde a primavera de 2025, segue em enfraquecimento e deve ser tecnicamente encerrado até o fim de fevereiro.
Segundo as análises, o fenômeno já não exerce influência relevante sobre as condições do tempo no Brasil. Ainda assim, outros sistemas atmosféricos de menor escala devem favorecer a formação de corredores de umidade ao longo do mês, com possibilidade de novos episódios de ZCAS.
Esses corredores transportam umidade da Amazônia para o Centro-Oeste, permitindo a formação de grandes áreas de chuva que, em alguns períodos, se espalham por diversas regiões do país.
A temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial central e leste deve entrar em neutralidade no outono, já com tendência de aquecimento que pode se intensificar ao longo do inverno de 2026.
A expectativa é de que um novo episódio de El Niño se instale entre o fim do outono e o início do inverno.
No Atlântico Sul, a temperatura da água do mar segue acima da média em quase toda a costa leste do Brasil, o que contribui para intensificar áreas de chuva ao longo do litoral, especialmente no Sudeste e no Sul. Já no Atlântico Tropical Norte, o aquecimento mais intenso em relação ao Atlântico Tropical Sul tende a reduzir a força da ZCIT sobre a costa norte do Nordeste e o norte da região Norte.
Ao longo de fevereiro, o ar quente e úmido deve predominar sobre o país, mantendo as pancadas de chuva frequentes em grande parte do Brasil, embora ocorram de forma irregular.
O mês começa com um forte corredor de umidade organizado sobre áreas do Sudeste e do Centro-Oeste, o que deve intensificar as chuvas na primeira semana.
Na região Sudeste, a segunda quinzena do mês tende a registrar redução das precipitações e aumento do calor. No Sul, o início de fevereiro será mais seco e quente, mas as condições para chuva aumentam a partir da segunda semana.
A previsão da Climatempo indica que o volume de chuva em fevereiro de 2026 deve ficar próximo da média histórica na maior parte do país.
Há expectativa de chuva acima da média no norte do Amazonas, incluindo Manaus, e em áreas do Vale do Paraíba e do litoral norte paulista.


Em contrapartida, os volumes tendem a ficar abaixo do normal em partes do Amapá, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, sertões de Pernambuco e da Bahia, Recôncavo Baiano e no sul e sudoeste do Rio Grande do Sul.
Previsão por regiões
Sudeste
A instabilidade se espalha por toda a região. São Paulo, Rio de Janeiro, sul e centro de Minas Gerais e parte do Espírito Santo devem registrar céu nublado, com pancadas de chuva a qualquer hora.
Sul
Chuvas frequentes atingem o litoral do Paraná e de Santa Catarina, com céu encoberto em áreas do interior. No Rio Grande do Sul, o tempo tende a ficar mais firme, com sol entre nuvens.
Centro-Oeste
O calor segue intenso, mas a umidade elevada favorece pancadas de chuva à tarde e à noite em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul, o tempo pode ficar mais nublado, com trovoadas e risco de chuva localmente forte.
Norte
A região permanece sob alta instabilidade, com previsão de pancadas de chuva fortes, especialmente no Amazonas, Acre e Pará. O risco de temporais localizados segue elevado, inclusive nas capitais Belém, Manaus e Rio Branco.
Nordeste
A maior parte da região deve registrar sol e calor, com possibilidade de chuvas rápidas e isoladas no litoral da Bahia, Sergipe e Pernambuco. O interior segue com tempo seco e temperaturas elevadas.
Fevereiro de 2026 deve terminar com temperaturas médias ligeiramente acima do normal em grande parte do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, além do oeste do Paraná, Santa Catarina e da maior parte do Rio Grande do Sul. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória devem ter calor dentro do padrão histórico, enquanto Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Brasília tendem a registrar temperaturas acima da média.
No Norte, a temperatura média deve ficar próxima da climatologia, com exceção do extremo norte do Pará, incluindo Belém, onde o calor pode ser um pouco mais intenso.








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