Alta das proteínas deve seguir forte no mercado em 2026

A febre das proteínas deve continuar moldando o mercado de alimentos e bebidas em 2026, com desdobramentos que vão além do simples aumento de teor proteico.

Alta das proteínas deve seguir forte no mercado em 2026
Ilustrativa

A febre das proteínas deve continuar moldando o mercado de alimentos e bebidas em 2026, com desdobramentos que vão além do simples aumento de teor proteico.

Analistas e fornecedores de ingredientes apontam para a consolidação da proteína como atributo esperado pelo consumidor, ao mesmo tempo em que novas aplicações, formatos e combinações funcionais ganham espaço nas gôndolas.

Proteína segue no centro das formulações

A presença de alegações como “alto teor de proteína” já se espalhou por praticamente todas as categorias, de iogurtes e cereais a snacks e bebidas. Segundo a Mintel, essa lógica de “maximização” tende a perder força no longo prazo, com dietas mais diversas até 2030. No curto prazo, porém, o movimento segue intenso.

Especialistas em ingredientes avaliam que, nos próximos 12 meses, a proteína continuará sendo um dos principais vetores de inovação, impulsionada por grandes fabricantes e pelo interesse do consumidor em saciedade, controle de peso e manutenção de massa muscular.

Grandes indústrias ampliam apostas

O avanço da febre das proteínas é reforçado por decisões estratégicas de multinacionais. A Nestlé lançou refeições congeladas prontas com alto teor proteico e desenvolveu um microgel patenteado de soro de leite para enriquecer bebidas lácteas. Já a Danone investe em shots com 10g de proteína voltados à saúde muscular.

Para Arla Foods Ingredients, o movimento deve se intensificar em 2026 com a chegada de mais refrigerantes proteicos formulados a partir da beta-lactoglobulina do soro do leite. Segundo Peter Schouw Andersen, diretor sênior de nutrição de desempenho da empresa, grandes marcas já trabalham nesse tipo de aplicação.

Além do volume de proteína, a indústria passa a explorar combinações com outros benefícios. A FrieslandCampina Ingredients define essa abordagem como “proteína-plus”: produtos ricos em proteína que incorporam ingredientes funcionais, como fibras, para atender demandas relacionadas à saúde intestinal, energia ou bem-estar.

Na prática, a proteína deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito. O foco se desloca para o valor agregado. Bebidas, iogurtes e sobremesas lácteas congeladas já aparecem como plataformas naturais para essa evolução.

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Esse movimento também chega ao foodservice. A Starbucks ampliou sua oferta de bebidas com alto teor proteico, como lattes e cold foams que chegam a 36 g de proteína por porção grande.
 

Tendência cresce de forma desigual pelo mundo

Apesar da força nos Estados Unidos e na Europa, a febre das proteínas ainda não é homogênea. Segundo Andrew Taylor, vice-presidente executivo de alimentos e bebidas da Novonesis, a tendência está apenas começando em mercados asiáticos e em outras regiões.

“Em muitos países, esse movimento ainda está em fase inicial”, afirma o executivo. Para ele, proteínas e rótulos limpos devem avançar em ritmos diferentes conforme a maturidade de cada mercado.
 

Proteína e controle de peso seguem conectados

O avanço de medicamentos GLP-1 e a busca por controle de peso reforçam o papel da proteína na dieta. Consumidores associam alimentos proteicos à saciedade prolongada e à preservação da massa muscular, o que sustenta a demanda em diferentes faixas etárias.

Segundo especialistas, a febre das proteínas não dá sinais de arrefecimento em 2026. Embora o discurso evolua para propostas mais equilibradas e funcionais, o espaço para crescimento ainda é amplo.

As informações são do BHB Food, adaptadas pela equipe MilkPoint.