Salvaguardas mudam dinâmica da carne bovina em 2026

O foco da decisão não está em dados pontuais de consumo

Salvaguardas mudam dinâmica da carne bovina em 2026
Ilustrativa

A adoção de salvaguardas pela China sobre a carne bovina a partir de 2026 altera de forma estrutural o comércio internacional da proteína e afeta diretamente o Brasil. Segundo análise de Alê Delara, estrategista do agronegócio, a medida estabelece cotas por país exportador e impõe tarifa adicional de 55% sobre volumes que excederem esses limites, mudando a lógica de funcionamento do mercado.

O foco da decisão não está em dados pontuais de consumo, mas em uma estratégia de longo prazo para administrar o abastecimento interno. O Brasil chega a 2026 como principal fornecedor, após volumes recordes em 2024 e 2025, quando em alguns meses respondeu por mais de 60% das importações chinesas. A cota definida, porém, fica abaixo do que foi efetivamente embarcado nesses anos, com um corte superior a 200 mil toneladas, ajuste concentrado no país justamente por sua eficiência e regularidade.

Na prática, de acordo com o estrategista, o limite cria um teto físico e econômico às exportações. Volumes acima da cota tornam-se inviáveis, o que reduz a liberdade de crescimento junto com a produção e força parte da carne a buscar destinos de menor valor médio. O impacto tende a ser mais qualitativo do que abrupto em volume, pressionando receitas e margens.

No mercado interno, a China deixa de absorver plenamente o excedente em períodos de maior oferta, o que limita a capacidade de reação da arroba do boi gordo. O efeito é gradual, com viés de pressão no médio prazo. A salvaguarda indica um mercado administrado, com regras mais rígidas e permanentes.