Boi gordo: escalas de abate confortáveis e maior oferta de animais pressionam cotações
A Agrifatto detectou queda nos preços da arroba em 7 (SP, MT, MS GO, MG, PR e SC) das 17 praças monitoradas diariamente pela equipe de analistas da consultoria
Com a oferta de boiada a pasto ganhando corpo em várias praças brasileiras, a pressão baixista também alcançou Estados que vinham mostrando mais resistência, como Mato Grosso, que registrou queda nos preços da arroba do boi gordo nesta quinta-feira (14/5), conforme apuração da Agrifatto, que acompanha diariamente os negócios em 17 regiões do País.
Além da praça mato-grossense, a consultoria apurou desvalorização do boi gordo nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Na praça paulista, segundo os dados da Agrifatto, a cotação do animal terminado sem padrão-exportação caiu para R$ 345/@, enquanto o “boi-China” recuou para R$ 355/@ (valores a prazo).
Pelos números levantados pela Scot Consultoria em São Paulo, o boi gordo destinado ao mercado interno segue cotado em R$ 350/@, o animal padrão-China vale R$ 355/@, a vaca gorda é negociada em R$ 320/@ e a novilha acabada é vendida a R$ 333/@ (valores brutos, no prazo).
“Os fundamentos de mercado seguem os mesmos: oferta atendendo à demanda, sem excedentes, e as escalas de abate dos frigoríficos estão confortáveis”, observa a Scot.
Segundo a consultoria, a ponta vendedora está ativa nas negociações, mesmo com os recuos na cotação ao longo desta primeira quinzena de maio, estimulados pela diminuição da capacidade de suporte das pastagens e pela possibilidade de novas quedas no curto prazo.
Do lado dos frigoríficos, diz a Scot, há apetite nas compras, mas as indústrias já se atentam para não formar estoques elevados diante da possibilidade de retração do consumo com a entrada da segunda quinzena de maio, período marcado pelo esgotamento dos salários recebidos no começo do mês. “Esse cenário mantém a pressão sobre os preços”, ressaltam os analistas da Scot.
Analistas da Agrifatto também acreditam na continuidade da tendência de baixa no curto prazo.
Dados levantados pela consultoria nesta quinta-feira (14/5) mostram um mercado interno já lento, com “ressaca” após o período de feriado e as comemorações do Dia das Mães.
Segundo a consultoria, as vendas de carne bovina ao consumidor final, que entre segunda e quarta desta semana foram regulares, caíram fortemente nesta quinta-feira em São Paulo, com tendência de mais perda gradual de tração ao longo desta segunda quinzena de maio.
“Com o orçamento das famílias apertado e o dinheiro do salário cada vez mais curto, nem o vale do dia 20 resolve”, afirmam os analistas da Agrifatto, acrescentando que os consumidores tendem, no curto prazo, a migrar para proteínas mais baratas, como frango, carne suína, ovos, entre outras.
Ainda de acordo com a Agrifatto, desde segunda-feira (11/5), as entregas de carne bovina ao varejo perderam consistência e a expectativa é de que esse cenário se estenda até o fim do mês, refletindo o baixo volume de pedidos de reposição.
“Há volume expressivo de mercadoria encalhada nos entrepostos, com descarregamentos adiados, além de aumento das devoluções parciais por problemas de qualidade e também retornos totais de carga por quaisquer motivos”, relata a Agrifatto.


“As incertezas em mercados compradores da carne bovina brasileira acenderam o sinal de alerta na cadeia”, avalia a consultoria, referindo-se sobretudo aos fundamentos externos (que podem impactar negativamente nas exportações brasileiras de proteína vermelha): a decisão da União Europeia em retirar, a partir de setembro/26, o Brasil da lista dos fornecedores internacionais de carne bovina, além das questões comerciais ligadas às medidas de salvaguarda da China, que prevê aplicação de tarifa de 55% após o preenchimento total da cota individual de exportação.
Futuros recuam novamente
No mercado futuro do boi gordo, os contratos negociados na B3 encerraram a sessão de quarta-feira (13/5) em baixa pelo segundo pregão seguido.
O papel com vencimento em maio/26 fecharam o pregão cotado a R$ 340,70/@, com queda de 0,93% frente ao fechamento anterior.








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