TUPs avançam no Sul e acirram disputa por cargas; saiba mais

Santa Catarina e Rio Grande do Sul recebem novos projetos privados enquanto setor produtivo cobra maior capacidade portuária no Paraná

TUPs avançam no Sul e acirram disputa por cargas; saiba mais
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Imagem gerada por IA

A expansão dos Terminais de Uso Privado (TUPs) está redesenhando a infraestrutura portuária da Região Sul e aumentando a competição pela movimentação de cargas. Enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul avançam com novos projetos privados, representantes do setor produtivo paranaense defendem a ampliação das alternativas portuárias no Estado para acompanhar o crescimento da produção e do comércio exterior.

O movimento acompanha uma tendência nacional. Atualmente, cerca de 65% da movimentação portuária brasileira ocorre em Terminais de Uso Privado, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

Os TUPs são instalações localizadas fora da área do porto organizado e exploradas mediante autorização. Diferentemente dos terminais arrendados dentro dos portos públicos, são implantados e operados sob regime privado de autorização.

No Paraná, entretanto, o setor produtivo aponta uma participação proporcionalmente menor desse modelo. Segundo João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), aproximadamente 8% das operações portuárias estaduais estariam concentradas em terminais privados, enquanto 92% ocorreriam em estruturas públicas e áreas arrendadas.

Santa Catarina amplia capacidade privada

O contraste aparece principalmente em Santa Catarina, onde novos empreendimentos se somam a TUPs já consolidados.

Entre os projetos está o terminal anunciado pela Coamo em Itapoá. A cooperativa paranaense prevê investir cerca de R$ 3 bilhões no empreendimento, que terá três berços de atracação e capacidade projetada para movimentar 11 milhões de toneladas por ano.

O movimento chama a atenção do setor produtivo paranaense porque a Coamo já utiliza Paranaguá para escoar aproximadamente 5 milhões de toneladas anuais e passa a desenvolver uma alternativa própria no litoral catarinense.

Outro empreendimento é o Terminal de Granéis de Santa Catarina (TGSC), em São Francisco do Sul, destinado à movimentação de granéis agrícolas e com capacidade prevista de até 6 milhões de toneladas anuais em sua primeira fase.

Santa Catarina já conta ainda com grandes terminais privados em operação, entre eles Porto Itapoá e Portonave. Em 2025, o sistema portuário catarinense movimentou 65,7 milhões de toneladas, segundo os dados apresentados no levantamento, com destaque para São Francisco do Sul, Porto Itapoá e Portonave.

Rio Grande do Sul recebe novos TUPs

O Rio Grande do Sul também amplia a participação do capital privado na infraestrutura portuária. Em Arroio do Sal está previsto o Porto Meridional, autorizado como Terminal de Uso Privado. O projeto prevê investimento próximo de R$ 1,3 bilhão e poderá movimentar granéis sólidos, líquidos e gasosos, carga geral e contêineres.

Outro movimento de grande porte está associado ao Projeto Natureza, da CMPC. A expansão industrial prevê dois novos TUPs no Estado, em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com aproximadamente R$ 1,4 bilhão em investimentos portuários.

No caso de Rio Grande, a infraestrutura terá capacidade para movimentar até 9 milhões de toneladas por ano em uma etapa futura da operação. A licença prévia ambiental para o empreendimento foi entregue em junho deste ano.

A estratégia da companhia prevê integração da produção industrial ao transporte hidroviário e à estrutura marítima de exportação, ampliando a capacidade logística associada à produção de celulose.

Setor produtivo cobra alternativas no Paraná

No Paraná, representantes da indústria, do agronegócio e das cooperativas defendem que a expansão de Paranaguá seja acompanhada pela criação de novas alternativas de escoamento.

“Precisamos ampliar a oferta de portos para embarque, isso é fundamental. Faz com que haja uma competição entre os próprios terminais, o que ajuda a reduzir o custo de logística”, afirma Nelson Costa, superintendente da Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar).

Para Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP, ampliar a capacidade portuária está entre os investimentos estruturantes necessários para sustentar o crescimento das exportações paranaenses. “O gargalo das exportações é extremamente limitante para qualquer desenvolvimento dos negócios. Na ponta final, o processo tem que fluir”, afirma.

Entre os projetos em discussão no litoral paranaense estão novas estruturas portuárias em Pontal do Paraná. O vice-governador Darci Piana afirmou recentemente que um novo empreendimento na região poderá receber cerca de R$ 6 bilhões em investimentos e funcionar de forma complementar a Paranaguá.

Competição pela carga ganha força

A expansão dos terminais privados nos Estados vizinhos não elimina a importância de Paranaguá, que permanece entre os principais complexos portuários brasileiros e vem ampliando sua capacidade. A discussão passa, entretanto, pela localização dos próximos investimentos e dos novos fluxos de carga da Região Sul.

Novos terminais em Santa Catarina e Rio Grande do Sul ampliam as alternativas disponíveis para produtores, indústrias e operadores logísticos. Distância até os polos produtores, acessos rodoviários e ferroviários, capacidade dos terminais, custos e disponibilidade de serviços passam a pesar na escolha do corredor de exportação.

Para Mohr, o desafio do Paraná está justamente em assegurar capacidade para absorver o crescimento futuro. “A questão que se coloca não é apenas quanto o Estado movimenta hoje, mas quanto da expansão portuária e logística das próximas décadas será realizada dentro de seu território”, afirma.

Agência Transporte Moderno