06 curiosidades do gado nelore, o “Rei das pastagens”

O gado Nelore é a espinha dorsal da pecuária de corte no Brasil

06 curiosidades do gado nelore, o “Rei das pastagens”
Ilustrativa

Com sua pelagem branca característica e o cupim avantajado, essa raça de origem indiana (Zebu) adaptou-se de forma tão espetacular ao clima tropical que, hoje, estima-se que cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro tenha sangue Nelore.

Aqui estão 6 curiosidades detalhadas para entender por que esse animal é o “Rei das pastagens” brasileiras:

1. Uma Viagem Ancestral da Índia ao Brasil

Embora seja o símbolo do churrasco brasileiro, o Nelore é originário da região de Ongole, na Índia. Os primeiros exemplares chegaram ao Brasil no final do século XIX, mas foi a partir da década de 1960 que a raça explodiu em popularidade. Na Índia, esses animais são considerados sagrados por muitos e conhecidos por sua resistência extrema. No Brasil, o foco mudou para a produção de carne, resultando em um processo de seleção genética que transformou o “Ongole” indiano no robusto “Nelore” brasileiro, muito mais musculoso e produtivo.

2. A “Armadura” Térmica e de Defesa

O Nelore possui uma capacidade de sobrevivência invejável graças à sua fisiologia. A pele é preta e rica em glândulas sudoríparas (em maior número que nas raças europeias), coberta por pelos brancos ou cinza-claros que refletem os raios solares. Isso funciona como um sistema de refrigeração natural, permitindo que o animal paste sob o sol escaldante de 40°C ou mais do Centro-Oeste sem sofrer estresse térmico. Além disso, a pele é densa e secreta uma substância oleosa que atua como um repelente natural contra insetos e parasitas, como o carrapato.

3. O Mistério e a Função do Cupim

O cupim, aquela protuberância sobre a cernelha, não é apenas um “detalhe estético”. Ele é composto de tecido muscular e gordura entremeada. Para o animal, o cupim serve como uma reserva energética estratégica para períodos de seca, quando a pastagem fica escassa. Na culinária, tornou-se um dos cortes mais apreciados devido ao seu sabor intenso e maciez quando assado lentamente, sendo uma exclusividade das raças zebuínas.

4. Instinto Materno e Longevidade

As vacas Nelore são famosas por serem “mães exemplares”. Elas possuem um instinto de proteção muito aguçado, defendendo suas crias com vigor contra predadores. Além disso, a anatomia das fêmeas facilita o parto (pouca distocia), e o úbere é pequeno com tetas curtas, o que evita infecções e facilita a primeira mamada do bezerro. Outro ponto impressionante é a longevidade: não é raro encontrar vacas Nelore produzindo bezerros saudáveis até os 15 ou 18 anos de idade.

 

5. Eficiência Alimentar em Pasto

Diferente das raças europeias, que muitas vezes exigem grãos e confinamento para ganhar peso, o Nelore é o mestre do aproveitamento de fibras. Ele consegue converter gramíneas de baixa qualidade nutricional em proteína de alto valor. Sua agilidade também conta: o Nelore caminha longas distâncias em busca de água e comida, o que o torna ideal para as grandes extensões de fazendas no estado de Mato Grosso e biomas como o Cerrado e o Pantanal.

6. O “Ouro Branco” da Genética

A valorização da raça atingiu níveis astronômicos. Devido à busca constante por precocidade (animais que ficam prontos para o abate mais cedo) e rendimento de carcaça, a genética Nelore é negociada a preços de carros de luxo. Em leilões recentes, fêmeas de elite tiveram cotas vendidas por milhões de reais, reafirmando que o Nelore não é apenas gado, mas um ativo financeiro de altíssimo valor para o agronegócio global.

O sucesso do Nelore no Brasil é a prova de que a adaptação é a chave da sobrevivência. De um animal sagrado do outro lado do mundo a motor da economia brasileira, a raça continua evoluindo através da tecnologia e do manejo, e você leitor, possuí alguma curiosidade do “Rei das pastagens”

AGRONEWS