Preços da soja seguem em alta por demanda e clima
O cenário atual do mercado de soja no Brasil reflete um equilíbrio delicado entre o apetite voraz do mercado internacional e as oscilações imprevisíveis do clima subtropical.
Na última semana, observou-se uma valorização consistente nos preços internos da oleaginosa, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e desafios técnicos no campo que mantêm produtores e compradores em estado de alerta.
O motor da demanda externa
O principal catalisador para a alta dos preços tem sido a demanda externa aquecida. A soja brasileira tornou-se o foco das atenções globais devido à maior atratividade dos prêmios de exportação. Esses prêmios funcionam como um ajuste sobre as cotações da Bolsa de Chicago, refletindo a competitividade do produto brasileiro no porto.
Com o câmbio e a logística favorecendo o escoamento, a China e outros grandes importadores voltaram seus olhos para as safras nacionais, o que encurtou a oferta disponível no mercado interno e forçou os preços para cima.
A dualidade climática no Sul
Enquanto o mercado externo puxa os preços pelo lado da demanda, a incerteza climática atua pelo lado da oferta. O Sul do Brasil, vive um momento de extrema ambiguidade:
Estiagem e quebra de safra: Em diversas regiões, a irregularidade das chuvas resultou em períodos de seca severa. O impacto direto é a redução da produtividade por hectare, com grãos que não atingiram o desenvolvimento pleno, forçando produtores a revisarem suas expectativas de lucro para baixo;
O alento das chuvas recentes: Por outro lado, frentes frias e precipitações localizadas trouxeram um alívio temporário para lavouras no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que ainda estão em fases fenológicas de desenvolvimento. Esse volume hídrico é crucial para garantir que as áreas plantadas mais tardiamente não sofram o mesmo destino das áreas precoces.
Ritmo de colheita e retenção de oferta
A postura do produtor brasileiro tem sido de extrema cautela. Diante da dúvida sobre o volume final que sairá do campo, muitos agricultores optaram por “segurar” o grão, evitando vendas antecipadas em grandes volumes. Essa retenção estratégica limita a liquidez no mercado disponível, sustentando as cotações elevadas.
De acordo com dados recentes da Conab, o ritmo de colheita reforça esse cenário de apreensão. Até meados de fevereiro, o Brasil havia colhido apenas 24,7% da área total semeada. Este índice é revelador quando comparado a períodos anteriores:

Safra anterior: 25,5% no mesmo período;
Média dos últimos cinco anos: 27,1%.
Essa lentidão, embora leve, sinaliza que os trabalhos de campo estão enfrentando gargalos, seja pelo atraso no ciclo da cultura devido ao clima ou pela espera por janelas ideais de colheita que evitem a perda de qualidade do grão.
Para as próximas semanas, a volatilidade deve continuar sendo a palavra de ordem. O mercado monitorará de perto se as chuvas no Sul serão suficientes para estancar as perdas de produtividade e se a demanda chinesa manterá o ritmo acelerado de compras. Em um setor onde cada milímetro de chuva e cada variação no dólar contam, a soja brasileira segue como o protagonista de um cenário de alta competitividade e riscos calculados. Clique aqui e acompanhe o agro.
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