Estados Unidos isentam 471 produtos brasileiros de nova tarifa; veja a lista
Nova sobretaxa de 12,5% entra em vigor nesta sexta-feira (24), mas café, fertilizantes, petróleo, suco de laranja e outros itens estratégicos ficaram fora da cobrança
Donald Trump não tem limite e continua com suas medidas descabíveis: os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma nova sobretaxa de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras.
Mas como ele não é bobo, o governo norte-americano divulgou uma lista com 471 produtos que ficaram de fora da medida, entre eles café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja, derivados de açaí e defensivos agrícolas.
A relação foi publicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e reúne exceções distribuídas em 20 grandes categorias de produtos.
A nova tarifa entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24). Para os produtos que não aparecem na lista de exceções, a cobrança de 12,5% será somada à sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos desde quarta-feira (22), elevando a tributação para 37,5% em parte das exportações brasileiras.
Veja os principais produtos isentos da tarifa
Segundo o USTR, as exceções contemplam produtos considerados estratégicos para o comércio entre Brasil e Estados Unidos e insumos essenciais para a indústria norte-americana.
Entre os principais itens que ficaram de fora da nova cobrança estão:
Agronegócio
café;
fertilizantes;
defensivos agrícolas;
suco de laranja;
derivados de açaí;
couros e peles.
Energia e matérias-primas
petróleo e derivados;
gás natural;
madeira e produtos de madeira;
ferro-gusa;
resíduos e sucata de alumínio.
Indústria, tecnologia e saúde
equipamentos para fabricação de semicondutores;
determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos;
obras de arte, antiguidades e itens de coleção.
Além desses produtos, a lista inclui diversos insumos industriais, minerais, resíduos metálicos e componentes utilizados pelas cadeias de tecnologia e farmacêutica.
Por que alguns produtos foram excluídos
Apesar da nova tarifa, o governo norte-americano decidiu retirar centenas de produtos da medida.
Segundo o USTR, as isenções levaram em consideração fatores como a importância desses insumos para a economia dos Estados Unidos, compromissos comerciais já existentes e características específicas de determinados mercados.
Entenda a nova tarifa
A sobretaxa de 12,5% foi anunciada após uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o governo norte-americano, o Brasil integra o grupo de países que, na avaliação das autoridades americanas, não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que essa situação prejudica empresas e trabalhadores norte-americanos.
"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual", destacou Greer em comunicado.
O relatório do USTR aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:
alumínio;
algodão;
eletrônicos;
baterias de lítio;
tabaco.
Segundo o órgão, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.
O documento também reconhece que o Brasil participa de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantém a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo. Ainda assim, avalia que os mecanismos atuais não são suficientes para impedir a entrada desses produtos.
Produtos não isentos podem pagar até 37,5%

Os produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções passarão a pagar uma sobretaxa adicional de 12,5%.
Como a medida será aplicada de forma cumulativa à tarifa de 25% anunciada nesta semana em outra investigação comercial, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar tributação total de 37,5% para acessar o mercado norte-americano.
A tarifa de 25% foi aplicada em um processo distinto, no qual o governo dos Estados Unidos acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando temas como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.
A nova alíquota substitui a tarifa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro deste ano.
Exceções também foram adotadas para outros países
Além das isenções por produto, os Estados Unidos estabeleceram regras diferenciadas para alguns parceiros comerciais.
Países e blocos como Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido receberam tratamento específico em razão de acordos comerciais ou de mecanismos considerados mais robustos de combate ao trabalho forçado.
Para parte das importações de vestuário e têxteis provenientes de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, por exemplo, foi criado um sistema de cotas que permite a entrada sem a tarifa da Seção 301, desde que as empresas utilizem algodão e outros insumos produzidos nos Estados Unidos.
Governo brasileiro critica decisão
Em nota, o governo brasileiro classificou a nova tarifa de 12,5% como "arbitrária" e "injustificada". Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.
O governo informou ainda que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia contestado as conclusões da investigação e afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais. Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de legislação, fiscalização e instrumentos de cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.
Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.














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