China reduz compras de carne bovina do RS

Carne de frango lidera crescimento entre proteínas

China reduz compras de carne bovina do RS
ilustrativa

As exportações de proteínas do Rio Grande do Sul tiveram comportamentos distintos em agosto de 2026, com forte crescimento da carne de frango e dos bovinos vivos, enquanto a carne suína perdeu receita e as vendas de carne bovina à China praticamente pararam. Segundo dados divulgados pela Farsul, mudanças comerciais, sanitárias e na demanda dos mercados compradores influenciaram o desempenho do mês.

O maior avanço percentual entre os produtos analisados ocorreu nas exportações de bovinos vivos. O valor embarcado cresceu 106,7% em relação a agosto de 2025, enquanto o volume aumentou 66%.

As vendas chegaram a US$ 44,1 milhões e 13,1 mil toneladas, com a Turquia respondendo pela totalidade dos embarques realizados no mês. Em agosto do ano passado, a receita havia sido de US$ 21,3 milhões.

Turquia impulsiona embarques de bovinos vivos

Segundo o relatório da Farsul, o aumento das exportações de bovinos está associado à política turca de importação de animais destinados à engorda, conduzida pelo órgão estatal Et ve Süt Kurumu, o ESK.

De acordo com o relatório, o órgão mantém em 2026 um programa de compra de animais com o objetivo de recompor a oferta de carne no mercado interno da Turquia e conter preços.

A Farsul observa que o calendário dessas grandes operações influencia de forma significativa os resultados mensais das exportações gaúchas. O relatório, porém, não associa o crescimento registrado em agosto a um contrato específico.

Cota chinesa altera fluxo da carne bovina

No grupo das carnes bovinas, a receita cresceu 5,8%, apesar da redução de 3,5% no volume exportado. O resultado ocorreu em um cenário de forte retração dos negócios com a China.

Os embarques gaúchos de carne bovina para o mercado chinês, que haviam alcançado cerca de 4 mil toneladas em agosto de 2025, foram nulos em agosto deste ano, segundo a Farsul.

A redução está relacionada à salvaguarda comercial adotada pela China. Em 10 de agosto, o país informou que 90% da cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas já havia sido utilizada. Acima desse limite, passa a ser cobrada tarifa adicional de 55%.

Embora a cota ainda não tivesse sido formalmente esgotada, o risco de as cargas chegarem ao mercado chinês depois de seu preenchimento levou exportadores a reduzir preventivamente os embarques. O mecanismo foi confirmado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, segundo as informações presentes no relatório.

A diminuição das vendas para a China foi parcialmente compensada por maiores negócios com Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e Israel.

Dentro da categoria, a carne industrializada ganhou espaço e apresentou crescimento de 120% em valor. A carne bovina in natura, por outro lado, registrou queda de 24,2%.

Carne de frango lidera crescimento entre proteínas

A carne de frango apresentou o melhor desempenho entre as proteínas exportadas pelo Estado. O valor das vendas cresceu 58,4% e o volume avançou 38,8% na comparação anual.

Arábia Saudita, Países Baixos, China, Japão e Kuwait estiveram entre os mercados que impulsionaram o resultado.

Segundo a Farsul, o desempenho está relacionado à recomposição dos fluxos comerciais após as restrições sanitárias impostas em maio de 2025, quando um foco de influenza aviária foi identificado em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, a retomada dos mercados vem contribuindo para a recuperação nacional do setor ao longo de 2026.

Carne suína perde espaço nas Filipinas

A carne suína apresentou movimento contrário ao observado no frango. As exportações recuaram 17% em valor e 4% em volume, segundo dados divulgados pela Farsul.

A queda foi influenciada principalmente pela redução das compras das Filipinas. Os embarques gaúchos ao país passaram de 14,9 mil toneladas para 7,8 mil toneladas.

O relatório destaca que o desempenho não significa uma retração generalizada da demanda filipina por carne suína. Segundo dados do Bureau of Animal Industry citados no material, as importações totais do produto pelas Filipinas cresceram 10,3% entre janeiro e julho.

De acordo com a Farsul, os números indicam perda de espaço do produto gaúcho diante de fornecedores concorrentes, entre eles Vietnã, Malásia, China, Argentina e Rússia.