Preços da arroba seguem firmes, refletindo boa demanda pela carne e escassez de boiadas gordas

Nas principais praças pecuárias, escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, entre sete e oito dias úteis, informa a Agrifatto

Preços da arroba seguem firmes, refletindo boa demanda pela carne e escassez de boiadas gordas
Ilustrativa

Sustentados pelo bom ritmo das vendas de carne bovina nos mercados interno e externo, além da atual escassez de oferta de animais terminados, os preços da arroba do boi gordo seguiram estáveis nesta quinta-feira (8/1) na maioria das praças brasileiras, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

Em São Paulo, o animal sem padrão-exportação segue valendo R$ 318/@, enquanto o “boi-China” é negociado por R$ 322/@ (valores brutos, no prazo), segundo apuração da Scot Consultoria.

Pelo levantamento da Agrifatto, das 17 praças monitoradas, 3 delas registraram queda diária nos preços da arroba nesta quinta-feira: Goiás, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

No restante das regiões monitoradas pela consultoria, as cotações da arroba ficaram estáveis, acrescenta a consultoria.

Segundo a Agrifatto, alguns frigoríficos tentam pressionar os preços dos lotes de boiadas gordas, mas sem força suficiente para mudar o rumo do mercado, que mantém o viés de alta apesar de algumas baixas pontuais.

Escalas continuam curtas

Nas principais praças, observa a consultoria, as escalas de abate dos frigoríficos seguem curtas, entre sete e oito dias úteis. As indústrias de menor porte, complementa a Agrifatto, enfrentam mais dificuldade para alongar as programações.

“Esse quadro fortalece o poder de negociação do pecuarista, especialmente para gado com padrão de exportação”, diz a consultoria Agrifatto.

Por sua vez, o consumo interno de carne bovina, relatam os analistas, ainda se mantém aquecido, puxado pelo crédito oriundo de benefícios sociais a pensionistas e aposentados, além da entrada da massa salarial de dezembro/25.

A demanda interna, detalha a Agrifatto, permanece concentrada em carnes nobres, como contrafilé, alcatra e fralda do traseiro.

“O forte movimento em supermercados, varejões e açougues ampliou de forma significativa os pedidos de reposição de estoques no varejo”, informa a consultoria, acrescentando que a procura por produtos para reforço de estoque dos distribuidores permanece aquecida, com foco em entregas imediatas.

“As mercadorias que chegam aos centros de distribuição dentro do programado têm descarregamento imediato”, enfatizam os analistas.

Impacto dos impostos 

Porém, na avaliação da Agrifatto, com a entrada da segunda quinzena do mês, a demanda doméstica pela carne bovina tende a perder força, já que os consumidores passarão a conviver com um orçamento cada vez mais “apertado”, um reflexo do batalhão de contas típicas de início de ano, como IPVA, IPTU, matrículas e materiais escolares, além dos gastos excessivos com os cartões de créditos utilizados durante as comemorações de fim de ano e o período de férias.

Boi futuro recua

No mercado futuro, os contratos do boi gordo na B3 registraram queda pelo segundo pregão consecutivo na quarta-feira (27/1). O papel com vencimento em fevereiro/26 encerrou o dia cotado a R$ 319,35/@ na B3, com recuo de 0,93% em relação ao fechamento anterior.