Caso Excell 10: o que ainda falta esclarecer
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) não responde aos questionamentos sobre a liberação dos lotes da vacina que provocou a morte de mais de 600 animais ano passado
O encerramento das atividades operacionais do laboratório farmacêutico Dechra, que comunicou o fechamento da planta de Londrina (PR), por meio de nota oficial divulgada no dia 24 de janeiro (a empresa seguirá as atividades comerciais e de distribuição de produtos importados), não encerra o caso em si.
Além das tratativas para indenizações a serem pagas aos produtores que perderam seus animais vacinados com os lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina Excell 10, contra clostridioses (a reportagem aguarda o posicionamento do laboratório a respeito), algumas questões ainda seguem sem resposta.
A principal delas refere-se à atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) junto à liberação das partidas 016/2024 e 018/2024 da vacina Excell 10 para comercialização.
No texto da portaria 49/1997, que estabelece o regulamento técnico para “produção, controle e emprego de vacinas contra carbúnculo sintomático, gangrena gasosa, enterotoxemia e tétano”, está escrito que as vacinas só podem ser comercializadas “após liberação pelo órgão controlador através da aceitação dos resultados apresentados ou da realização dos testes oficiais correspondentes”.
Sobre este item, a reportagem de DBO entrou em contato com a assessoria do Mapa no dia 3 de outubro de 2025 e encaminhou o seguinte questionamento por e-mail: “o Mapa realizou os testes com as partidas 016/2024 e 018/2024 da vacina Excell 10? Em caso positivo, o que pode ter acontecido para que estas partidas fossem liberadas? Caso contrário, por que os testes não foram feitos?”.
No mesmo e-mail, a reportagem questionou se havia algum problema na produção ou regulamentação das vacinas clostridiais, uma vez que pouco tempo depois, a pasta apreendeu lotes da vacina Resguard Multi, do laboratório Vaxxinova.
Mapa em silêncio
Nenhum dos questionamentos enviados ao Mapa foram respondidos até o momento, passados quase quatro meses da solicitação formal via e-mail. Até mesmo o pedido sobre a conclusão oficial das investigações acerca da morte dos animais após a aplicação da Excell 10 ficou sem resposta. Vale ressaltar que o Mapa, por meio de nota oficial divulgada no dia 21 de agosto de 2025, afirmou que “a estimativa inicial de conclusão do processo de investigação é de 60 dias”. Completaram-se cinco meses e nenhum laudo oficial foi divulgado.

Sobre as possíveis causas que provocaram a morte de ao menos 600 animais (este é o último balanço oficial, divulgado pelo Mapa no dia 3 de setembro), o próprio laboratório já se manifestou. Em nota encaminhada à imprensa no dia 12 de novembro do ano passado, a empresa informou que o problema decorreu provavelmente de uma falha no processo de inativação dos patógenos em uma das etapas de fabricação da vacina.
Diante do silêncio da pasta, mesmo após sucessivas tentativas e pedidos de resposta via contato telefônico, a reportagem decidiu protocolar uma queixa junto à Ouvidoria do órgão. A reclamação (protocolo no. 21210.011873/2025-17) foi registrada no dia 19 de novembro na plataforma Fala.BR seguindo as orientações repassadas pela própria Ouvidoria. Na última sexta-feira (23 de janeiro de 2026), a reportagem recebeu a seguinte resposta por e-mail:
Identificamos que a ouvidoria do(a) MAPA – Ministério da Agricultura e Pecuária ainda não respondeu à sua manifestação nº 21210.011873/2025-17. De acordo com a legislação atual, a Ouvidoria dispõe do prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período, para emitir uma resposta conclusiva. O prazo legal, portanto, já está esgotado. A reportagem e a classe produtiva continuam aguardando as respostas por parte do órgão oficial regulador.








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