Você só lembra dele no Natal, mas o peru já rendeu US$ 90 milhões ao Brasil em quatro meses

Levantamento do Deral aponta avanço dos embarques no primeiro quadrimestre, com receita mais que dobrando diante da valorização do produto e da forte demanda internacional

Você só lembra dele no Natal, mas o peru já rendeu US$ 90 milhões ao Brasil em quatro meses
Ilustrativa

Produção de perus no Brasil é concentrada na região Sul, responsável pela maior parte das exportações da proteína.

03deJunhode2026ás16:26

Muito associada às ceias de fim de ano, a carne de peru vem ganhando espaço no comércio exterior ao longo de todo o ano.

Dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), compilados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostram que as exportações brasileiras de carne de peru registraram forte crescimento nos primeiros quatro meses de 2026.

Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 22.328 toneladas de carne de peru, volume 23,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A receita cambial alcançou US$ 90,863 milhões, avanço de 124,6% em relação aos US$ 29,967 milhões obtidos no ano anterior.

O desempenho foi impulsionado não apenas pelo aumento dos embarques, mas também pela valorização do produto no mercado internacional. Segundo o Deral, o preço médio da carne de peru in natura atingiu US$ 4.059,03 por tonelada no primeiro quadrimestre, alta de 77,6% em comparação com os US$ 2.285,33 registrados em igual período de 2025.

Praticamente toda a carne de peru exportada pelo Brasil corresponde a produtos in natura. Das 22.328 toneladas embarcadas no período, 22.112 toneladas pertencem a essa categoria, o equivalente a 99,03% do total exportado. A receita gerada por esses embarques somou US$ 89,753 milhões.

Mercado concentrado

De acordo com o Deral, duas empresas comandam a criação de perus e a produção de carne de peru e produtos derivados no Brasil: a MBRFoods (resultado da fusão da Marfrig + BRFoods), com atividades no Paraná, e a JBS (Seara), com estruturas em Santa Catarina e em Caxias do Sul (RS).

A região Sul concentra a produção e os embarques da proteína. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, Santa Catarina liderou as exportações, com 8.906 toneladas e receita de US$ 39,2 milhões. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com 8.663 toneladas e US$ 28,987 milhões, e Paraná, com 4.739 toneladas e US$ 22,610 milhões.

Em relação ao mesmo período do ano passado, os três estados ampliaram os embarques. Santa Catarina registrou crescimento de 38,4%, seguida por Rio Grande do Sul, com alta de 21,2%, e Paraná, com avanço de 6,9%.

Quando analisada a receita obtida com as exportações, o avanço foi ainda mais expressivo. Santa Catarina registrou crescimento de 171,1%, Paraná de 113,1% e Rio Grande do Sul de 69,9%.

México lidera compras

O México foi o principal destino da carne de peru brasileira no primeiro quadrimestre de 2026. O país importou 6.825 toneladas, movimentando US$ 30,703 milhões. Na sequência aparecem Chile, com 3.323 toneladas e US$ 22,893 milhões; África do Sul, com 3.027 toneladas e US$ 5,446 milhões; Países Baixos, com 1.611 toneladas e US$ 11,452 milhões; e Peru, com 1.071 toneladas e US$ 3,150 milhões.

Entre os principais compradores, o destaque ficou para o mercado mexicano. O volume adquirido pelo país avançou 319,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita gerada pelas exportações saltou 627,4%. Também houve crescimento nas compras de Chile e África do Sul, enquanto Países Baixos e Peru reduziram os volumes importados.

Além dos cinco principais destinos, a carne de peru brasileira também chegou a mercados como Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas no período analisado.

Os números reforçam o bom momento vivido pelo setor em 2026, marcado pela valorização internacional da proteína e pela ampliação da demanda em mercados estratégicos, especialmente na América Latina.