Mercado do boi gordo mantém preços firmes e pode avançar no curto prazo

Escalas de abate mais curtas, expectativa de demanda aquecida e exportações em alta sustentam viés positivo para o mercado pecuário

Mercado do boi gordo mantém preços firmes e pode avançar no curto prazo
Ilustrativa

O mercado físico do boi gordo manteve preços firmes ao longo da semana e segue com perspectiva de valorização no curto prazo, sustentado pelo encurtamento das escalas de abate dos frigoríficos e pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

Em maio,  os embarques do produto registraram crescimento superior a 50% em valor na comparação com o mesmo período do ano passado. O atual posicionamento das escalas de abate, mais curtas, ocorre em um momento de expectativa de demanda aquecida, segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, .

O mercado também acompanha o ritmo das compras chinesas, diante da expectativa de anúncio de que 80% da cota de exportação destinada ao Brasil já foi preenchida.

Outro fator monitorado é a decisão dos Estados Unidos de isentar a carne bovina brasileira de tarifas. “Os norte-americanos registram um enorme déficit de produção, o que justifica uma postura mais branda em relação à proteína brasileira”, afirma Iglesias.

Preços do boi gordo

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 3 de junho:

São Paulo (Capital) – R$ 355,00 a arroba, inalterado frente ao final da semana passada.

Goiás (Goiânia) – R$ 330,00 a arroba, sem mudanças frente ao final da semana anterior.

Minas Gerais (Uberaba) – R$ 325,00 a arroba, estável frente ao fechamento da semana passada.

Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 350,00 a arroba, sem mudanças frente ao encerramento da última semana.

Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 355,00 a arroba, inalterado frente ao fechamento da semana anterior.

Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, sem mudanças frente ao encerramento da semana anterior.

Mercado atacadista

No atacado, os preços permaneceram acomodados durante a semana, embora exista expectativa de valorização no curto prazo.

“É grande a perspectiva em torno da Copa do Mundo, com bom potencial de demanda, mas é preciso lembrar que a carne bovina segue menos competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na comparada com a carne de frango”, avalia Iglesias.

O quarto dianteiro permaneceu cotado a R$ 21,50 por quilo, sem variação em relação ao fim da semana passada. Já os cortes do traseiro bovino foram negociados a R$ 27,00 por quilo, queda de 1,82% frente aos R$ 27,50 registrados no encerramento do período anterior.

Exportações

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 1,703 bilhão em maio, considerando 20 dias úteis, com média diária de US$ 85,198 milhões.

O volume embarcado somou 261,944 mil toneladas, com média diária de 13,097 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.505,10.

Na comparação com maio de 2025, houve alta de 50,2% no valor médio diário exportado, avanço de 20,2% na quantidade média diária embarcada e crescimento de 25% no preço médio da tonelada, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).