Mercado do feijão tem movimentos distintos

Oferta maior pesa sobre o feijão carioca

Mercado do feijão tem movimentos distintos
ilustrativa

A entrada da terceira safra continua ampliando a oferta de feijão carioca e pressionando as cotações no mercado físico. A avaliação é do Indicador de Preços Cepea/CNA, no boletim referente ao período de 9 a 16 de julho. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada , no varejo os preços ainda refletem os reajustes acumulados ao longo da primeira e da segunda safras.

Em sentido oposto, o mercado de feijão preto segue sustentado pela menor disponibilidade de produto, resultado da quebra de produção e do encerramento da segunda safra. Pesquisadores do Cepea observam, no entanto, que a demanda ainda limita movimentos mais intensos de valorização.

No segmento do feijão carioca peneira 12 ou nota 9,0, o avanço da colheita da terceira safra aumentou a disponibilidade de lotes de melhor qualidade e reduziu o interesse dos compradores, diante da expectativa de entrada contínua de novos volumes. O Cepea destaca ainda que as margens consideradas favoráveis estimularam produtores a comercializar os estoques disponíveis, intensificando a pressão sobre as cotações.

Todas as regiões acompanhadas pelo Cepea registraram queda nos preços desse padrão de feijão. Os maiores recuos ocorreram no Centro-Noroeste Goiano e no Noroeste de Minas Gerais, próximos de 10%, enquanto o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba apresentou baixa de 6,38%. Segundo o centro de pesquisas, o avanço da colheita deve manter a pressão sobre os preços nas próximas semanas, embora lotes de padrão elevado possam continuar recebendo prêmios pontuais em mercados com menor disponibilidade.

Para os grãos intermediários, notas 8,0 e 8,5, a desvalorização do feijão de maior qualidade reduziu a competitividade desses lotes e ampliou a pressão sobre as cotações na maior parte das regiões. A principal exceção foi Belo Horizonte, onde os preços subiram 0,95% devido à absorção de lotes nota 8,5 pela indústria.

Na metade sul do Paraná, os preços recuaram 11,02%, refletindo a redução do número de compradores e questionamentos sobre a qualidade dos grãos. Em Sorriso (MT), mesmo com oferta limitada, as cotações caíram 0,82%, influenciadas pelo movimento de baixa observado nas demais praças. O Cepea avalia que a pressão sobre os preços dos grãos intermediários deve continuar acompanhando a maior oferta da terceira safra.

O mercado de feijão preto tipo 1 permaneceu firme, sustentado pela menor oferta nacional e pelo encerramento da segunda safra no Paraná. A colheita no estado atingiu 99% da área até 13 de julho, segundo os dados considerados pelo Cepea, e a disponibilidade reduzida levou produtores a reter os lotes de melhor qualidade.

Na semana, o Oeste de Santa Catarina registrou alta de 3,39% e a metade sul do Paraná, de 0,78%. Em Curitiba, porém, os preços recuaram 1,65%, movimento atribuído à demanda moderada e aos estoques ainda abastecidos.

O cenário também foi reforçado pelo relatório de julho da Companhia Nacional de Abastecimento , que reduziu em 7,3% a estimativa da produção de feijão preto em relação ao levantamento anterior. Para a safra 2025/26, a Conab projeta produção de 469,5 mil toneladas, volume 42,1% inferior ao da temporada passada, devido à redução da área cultivada e às perdas climáticas registradas no Paraná. Segundo o órgão, a menor oferta deve manter o mercado sustentado nas próximas semanas.