Brasil discute desafios e tarifas ao café nos EUA

Café brasileiro enfrenta desafios tarifários e de mercado nos EUA

Brasil discute desafios e tarifas ao café nos EUA
Ilustrativa

Cecafé participou da NCA Convention, onde realizou alinhamentos sobre as tarifas ainda vigentes ao café solúvel e o risco de novas taxações devido a investigações da Seção 301

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, entre 12 e 14 de março, da “2026 NCA Convention”, em Tampa, Flórida, nos Estados Unidos, evento que reuniu aproximadamente 800 profissionais da cafeicultura global, entre líderes do setor e tomadores de decisão de toda a cadeia produtiva para networking, troca de informações e interação.

“Temos sincera gratidão à National Coffee Association (NCA) por organizar um evento excepcional, que destacou o melhor da indústria cafeeira norte-americana. O Brasil teve um espaço de destaque, em posicionamentos e no estande na convenção. Estivemos com centenas de profissionais de todo o setor, promovendo discussões, networking e compartilhamento de conhecimento. Foi uma oportunidade fantástica para alinhar estratégias e explorar novas oportunidades”, destaca o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, que participou presencialmente junto com o presidente da entidade, Márcio Ferreira.

Mais do que estar no evento, a participação brasileira focou em conversas e alinhamentos com os pares norte-americanos a respeito de desafios atuais à cafeicultura, como as taxas impostas pelo governo dos EUA sobre cafés a serem importados do Brasil, a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta pelo escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês), e outras investigações.

Segundo o diretor-geral do Cecafé, atualmente, os cafés verdes, torrados e torrados e moídos do Brasil estão isentos de taxas, mas o solúvel permanece com tarifas de 10% para ingressar nos EUA, que é superior, por exemplo, na comparação com o México, que possui tributo zero, é o maior fornecedor do produto aos americanos e vem tomando espaço do produto brasileiro naquele mercado.

“Há, ainda, os riscos que as investigações embasadas na Lei do Comércio e as denúncias relacionadas a questões trabalhistas feitas junto à Justiça norte-americana contra trazem aos cafés do Brasil. Por isso, em parceria com a NCA, em especial o staff de Washington, a (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) ABICS, com participação da (Associação Brasileira da Indústria de Café) ABIC, estamos sendo proativos na defesa do nosso setor cafeeiro para nos anteciparmos aos riscos e trabalhar para que consigamos evitar que o produto receba novas tarifas”, completa Matos.

Esse alinhamento, focado em estratégias, desafios e oportunidades, conforme ele, ocorreu em oportunidades durante a NCA Convention e, principalmente, em uma reunião agendada pelo Cecafé com a NCA e seu time de Washington, com participação de ABICS e ABIC, em 12 de março, e em um encontro das entidades globais, no dia 14.

CAFÉS DO BRASIL

Na convenção, a delegação nacional contou com um estande, em espaço de destaque, onde expôs o inovador conceito “ESG+T”, que marca o reposicionamento setorial e a atualização da marca “Cafés do Brasil”, evidenciando a tecnologia como elemento central da tradição e da transformação com sustentabilidade da cafeicultura brasileira, por meio do respeito a meio ambiente e pessoas, e enaltece que essa tecnologia é a força motriz para a cafeicultura brasileira cultivar inovação e colher desenvolvimento.

“Nosso estande, que teve o Museu do Café como parceiro e patrocinador, foi um centro de atividades, com visitantes ansiosos para conhecer as inovações dos cafés do Brasil e, claro, provar nossos cafés excepcionais. Sua localização estratégica ao lado do salão principal, onde foram debatidos os temas-chave do evento, como economia, sustentabilidade e tendências de mercado, tornou o espaço brasileiro um local ideal para conexões”, revela Matos.

O trabalho de reposicionamento da marca “Cafés do Brasil” foi realizado pela agência Design Bridge and Partners e contou com contribuições de toda a cadeia produtiva, por meio de ABIC, ABICS, Cecafé, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho Nacional do Café (CNC), Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).