O Irã pode travar o novo corredor global?

Em paralelo, surge o Corredor Econômico Índia Oriente Médio Europa

O Irã pode travar o novo corredor global?
Ilustrativa

A disputa por rotas logísticas e energéticas entre Ásia, Oriente Médio e Europa se tornou um dos eixos centrais da reorganização geopolítica global. Análise do professor José Carlos de Lima Júnior, sócio do Markestrat Group e cofundador da Harven Agribusiness School, aponta que o Irã ocupa posição estratégica na rivalidade entre dois grandes projetos de integração econômica.

De um lado está a Nova Rota da Seda, conhecida como Belt and Road Initiative (BRI), lançada pela China em 2013 com o objetivo de ampliar conexões comerciais, energéticas e logísticas entre Ásia, Oriente Médio e Europa. O projeto envolve investimentos em infraestrutura, transporte e energia e busca consolidar corredores comerciais capazes de fortalecer a presença econômica chinesa em diferentes regiões.

Nesse contexto, o Irã aparece como um hub estratégico dentro da iniciativa. O país integra fluxos terrestres e marítimos da BRI e mantém acordos com a China que preveem investimentos estimados em cerca de 400 bilhões de dólares em infraestrutura, energia e transporte, reforçando sua relevância na arquitetura logística regional.

Em paralelo, surge o Corredor Econômico Índia Oriente Médio Europa, o IMEC, anunciado em 2023 como alternativa de integração comercial ligando Índia, Golfo e Europa por rotas marítimas e ferroviárias. A proposta busca reduzir custos logísticos e encurtar o tempo de transporte entre os continentes, além de funcionar como resposta ao avanço da estratégia chinesa.

Para que esse corredor se torne viável, porém, a ausência de opositores locais é considerada um fator decisivo. Segundo a análise, a presença e a influência do Irã em áreas estratégicas do Oriente Médio representam um ponto de tensão para a consolidação do projeto, especialmente diante de sua rede de aliados regionais.