Boi gordo: na briga pelo melhor preço, pecuaristas dão um “chocolate” nas indústrias compradoras

Às vésperas das comemorações de Páscoa, a arroba do "boi-China" sobe para R$ 365 em SP, com valorização de R$ 5/@

Boi gordo: na briga pelo melhor preço, pecuaristas dão um “chocolate” nas indústrias compradoras
Ilustrativa

Em meio a uma oferta de boiadas que continua enxuta e escalas de abate ainda bastante curtas, as indústrias de São Paulo elevaram em R$ 5/@ os preços do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China”, para R$ 360/@ e R$ 365/@, respectivamente (valores bruto, no prazo), segundo apuração diária da Scot Consultoria.

As fêmeas terminadas, por sua vez, registraram alta diária de  R$ 2/@ nesta quinta-feira (2/4) no mercado paulista, e agora estão cotadas em R$ 327/@ (vaca) e R$ 342/@ (novilha), acrescenta a Scot.

Pelos dados da Agrifatto, nesta quinta-feira, o boi gordo subiu para R$ 365/@ em São Paulo, e também registrou alta em outras 5 praças — em Alagoas, Goiás, Maranhão, Minas Gerais e Rondônia. Nas demais regiões, os preços da arroba ficaram estáveis.

“Com o baixo volume de negócios, as escalas de abate seguem apertadas, sem conseguir ultrapassar, em média, 5 dias no cenário nacional”, informa a Agrifatto, acrescentando que existem regiões em que o atendimento não passa de 2 dias úteis. 

Tal conjuntura, continua a consultoria, é sustentada pela restrição na oferta de boiadas gordas, além do bom desempenho das exportações de carne bovina in natura.

No mercado futuro, os contratos do boi gordo encerraram o pregão da quarta-feira (1/4) em alta. Destaque para o papel  com vencimento em abril/26, que fechou a sessão cotado a R$ 367,20/@, com aumento de 0,62% em relação ao fechamento anterior.

Febre aftosa na China

O mercado global da carne bovina entrou em estado de atenção após a confirmação de novos focos de febre aftosa (142 animais infectados) na China, principal parceiro comercial do Brasil, relata boletim enviado nesta quinta-feira pela Agrifatto aos seus assinantes. 

Em resposta imediata, autoridades sanitárias do governo chinês colocaram em prática protocolos de emergência que incluem o abate sanitário, desinfecção rigorosa das áreas, descarte seguro das carcaças e investigações epidemiológicas para conter a propagação do vírus. 

No entanto, ressalta a Agrifatto, a produção bovina chinesa é majoritariamente voltada ao abastecimento do mercado interno, não se tratando de um país exportador líquido de carne bovina. 

Nesse contexto, esclarece a consultoria, a febre aftosa assume caráter predominantemente econômico e comercial. “Assim, os impactos diretos concentram-se sobre a dinâmica interna de oferta e demanda”, observa a Agrifatto. 

Como fica a política de salvaguarda?

Segundo informa a consultoria, antes do anúncio oficial sobre os focos de aftosa, circularam rumores no mercado indicando uma possível disposição da China em liberar volumes adicionais de importação do Brasil assim que o preenchimento das cotas atuais estivesse próximo do fim. 

“A divulgação dos surtos no dia seguinte levantou especulações no mercado de que o anúncio sanitário possa também servir como justificativa para eventual ampliação da entrada de proteína estrangeira”, relata a Agrifatto. 

Porém, acredita a consultoria, caso os novos focos sejam rapidamente contidos pelas autoridades chinesas, o efeito sobre os estoques internos tende a ser limitado, sem alterações relevantes no balanço de oferta do país.