Boi gordo: menor oferta de fêmeas e demanda firme sustentam expectativas positivas para 2026

Apesar da salvaguarda chinesa, a reposição valorizada, a retenção de fêmeas e a demanda que já começa o ano firme devem sustentar os preços do boi gordo em 2026, avalia Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria.

Boi gordo: menor oferta de fêmeas e demanda firme sustentam expectativas positivas para 2026
Ilustrativa

O mercado do boi gordo inicia 2026 com perspectiva de preços sustentados, mesmo após o anúncio da salvaguarda chinesa. A combinação de reposição mais valorizada, retenção de fêmeas e demanda firme tende a dar fôlego às cotações ao longo do primeiro semestre, segundo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria.

“A demanda veio muito positiva em 2025 e deve seguir a mesma tendência em 2026”, afirmou durante o programa Terraviva DBO na TV, exibido na quarta-feira (7/1). Ele lembrou que, apesar do volume recorde de abates no ano passado, com destaque para a entrada expressiva de fêmeas, inclusive novilhas, o preço de referência do boi gordo em São Paulo “não caiu para baixo de R$ 300” ao longo de 2025, sustentado pela forte demanda externa.

E apesar da preocupação inicial, Gonçalves não vê impacto significativo no curto prazo causado pela salvaguarda chinesa. Segundo o analista, o efeito limitante sobre o ritmo de embarques deve ser compensado parcialmente por um consumo doméstico mais firme, impulsionado pelas festividades de início do ano e pela reposição tradicional de estoques da indústria.

O analista lembra ainda que o cenário internacional continua ajudando o Brasil a manter competitividade. Países concorrentes no mercado exportador, como Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Austrália, também passam por uma fase de redução de oferta, o que limita a disponibilidade global de carne bovina. “Isso equilibra parte dos riscos externos e mantém o Brasil bem posicionado mesmo com eventuais travas comerciais”, explicou.

“Se não houver eventos extremos, seja no mercado externo, seja no clima, o quadro principal é de menos fêmeas, demanda aquecida e preços mais sustentados ao longo de 2026”, conclui o analista.