Protecionismo ou regra sanitária? Agro reage à UE
"A discussão deixa de ser apenas tarifária"
A exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal para a União Europeia reacendeu o debate sobre o peso das barreiras sanitárias e regulatórias no comércio internacional. A medida, prevista para produzir efeitos a partir de 3 de setembro, foi justificada pelo bloco europeu com base no descumprimento de regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Em análise publicada no LinkedIn, Jaime Verruck, ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, avaliou que a decisão surge em um momento sensível, logo após o avanço do acordo Mercosul-União Europeia. Para ele, o episódio mostra que a ampliação do comércio entre os blocos tende a ocorrer sob exigências técnicas, sanitárias, ambientais e de rastreabilidade cada vez mais rigorosas.
“Esse é um ponto crítico. A discussão deixa de ser apenas tarifária e passa a incorporar instrumentos regulatórios que, muitas vezes, funcionam como mecanismos indiretos de proteção de mercado”, comenta.
Verruck conclui a sua análise citando o que acredita ser a solução para esse tipo de problema. “O desafio agora é transformar exigências internacionais em diferencial competitivo, sem perder de vista que o comércio global está cada vez mais marcado por disputas regulatórias e sanitárias. O acordo Mercosul–União Europeia começa mostrando que o debate não será apenas sobre abertura comercial”, completa.

Também em análise publicada no LinkedIn, Claudio Peres, gerente comercial, agrônomo, educador e banker corporate agro, adotou tom mais crítico ao interpretar a medida como uma barreira sanitária com viés protecionista. Para ele, a decisão favorece produtores europeus diante da competitividade da proteína animal brasileira, marcada por escala, eficiência e preço.
“Que conveniente, mas na real, todo mundo sabe o que está rolando: o Brasil incomoda. Produz carne boa, abundante e barata — graças ao nosso agro eficiente, clima, escala e gente que trabalha de verdade. Isso bagunça o preço no mercado europeu”, conclui.








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