Milho não entrega o que o produtor espera
A decisão de carregar estoque, por sua vez, revela um ponto importante
O mercado de milho atravessa um momento de frustração para produtores que apostaram na valorização dos preços neste período do ano. A avaliação é de Marcos Rubin, CEO da Veeries, ao analisar o comportamento recente das cotações e as decisões adotadas no campo.
No mesmo período do ano passado, produtores de Mato Grosso negociavam o grão com valores significativamente superiores, cerca de R$ 20 a mais em Sorriso e R$ 30 em Primavera do Leste. A diferença, segundo Rubin, não se restringe ao estado e se repete com variações pequenas em diversas regiões do país.
Diante da expectativa de melhores preços, muitos produtores optaram por reter o milho da safra 2024/25. No entanto, o mercado não confirmou esse cenário, evidenciando um descompasso entre projeções e realidade. O volume elevado de estoques, longe de ser inesperado, já era consequência direta da dimensão da safra anterior.
A decisão de carregar estoque, por sua vez, revela um ponto importante sobre a estrutura do setor. Parte relevante dos produtores conseguiu sustentar essa estratégia, indicando um nível ainda considerável de capitalização no campo. Ao mesmo tempo, a restrição de crédito é apontada como crescente, mas desigual, afetando de maneira distinta os diferentes perfis de produtores.

Outro fator destacado é o impacto do excesso de informação na tomada de decisão. Rubin observa que o aumento de conteúdos superficiais e narrativas simplificadas tem ampliado o ruído no mercado, dificultando escolhas mais assertivas.
Apesar do discurso predominante de expansão da demanda por etanol de milho, o comportamento dos preços mostra que as expectativas estavam mal calibradas. A diferença atual em relação ao ano anterior reforça esse desalinhamento entre o que se projetava e o que efetivamente se concretizou.








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