Carne bovina: rombo gerado pela cota chinesa pode atingir US$ 4,5 bi, 50porcento acima das previsões iniciais

Roberto Perosa, presidente da Abiec, prevê exportações de 900 mil t este ano ao mercado da China, uma forte queda de 748 mil t em relação ao resultado recorde de 2025

Carne bovina: rombo gerado pela cota chinesa pode atingir US$ 4,5 bi, 50porcento acima das previsões iniciais
ilustrativa

Em entrevista coletiva, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, disse que a cota de salvaguarda da China poderá reduzir os embarques brasileiros de carne bovina em US$ 4,5 bilhões em 2026.

A nova estimativa de Perosa representa um significativo acréscimo de 50% (ou + US$ 1,5 bilhão) em relação à projeção feita pela Abiec no início deste ano, de US$ 3 bilhões.

Segundo o executivo, a associação prevê exportar ao mercado chinês 900 mil toneladas este ano, uma forte queda de 748 mil toneladas em relação ao resultado recorde do ano passado.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, que acompanhou a coletiva, no começo de 2026, o setor havia projetado uma queda menor, de 600.000 toneladas – o que resultaria em perdas de receita de US$ 3 bilhões, considerando o preço médio de 2025, de US$ 5.000 por tonelada.

A nova medida de salvaguarda da China limita as importações brasileiras de carne bovina a 1,1 milhão de toneladas para 2026.

Como Pequim contabiliza cargas embarcadas em 2025, mas liberadas pela alfândega este ano, as exportações reais do Brasil em 2026 ficarão aquém do teto autorizado, explica texto do Valor.

A projeção anterior da Abiec, de perdas de US$ 3 bilhões, não contabilizava as cargas de 2025 transferidas para a cota deste ano.

Segundo notícias já divulgadas pelo Portal DBO, nas últimas semanas, os frigoríficos brasileiros interromperam os embarques para a China, partindo do pressuposto de que a cota chinesa foi esgotada, embora as autoridades de Pequim ainda não confirmaram tal informação.

Além do “fator-China”, um outro entrave tem gerador atualmente o setor: o bloqueio iminente imposto pela União Europeia.

Na coletiva, Perosa afirmou que existe uma “grande possibilidade” de as exportações para o bloco serem suspensas a partir de setembro/26, visto que o Brasil ainda não forneceu evidências técnicas suficientes de que o gado destinado ao mercado da UE seja criado sem antimicrobianos.