China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa
Decisão encerra negociação de mais de 20 anos e amplia oportunidades para exportações de produtos bovinos e suínos ao mercado chinês
O governo da China anunciou nesta terça-feira (2) o reconhecimento de todo o território brasileiro como área livre de febre aftosa.
O anúncio foi feito durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao país e marca o desfecho de uma negociação conduzida entre os dois governos ao longo de mais de duas décadas.
A medida amplia as possibilidades de exportação de produtos bovinos e suínos brasileiros para o mercado chinês, incluindo itens como miúdos e carne com osso.
Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China superaram US$ 50 bilhões.
Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à República Popular da China, em maio de 2025, os dois países assinaram um memorando de entendimento na área de medidas sanitárias e fitossanitárias. O acordo fortaleceu o diálogo técnico entre as autoridades dos dois países e contribuiu para o avanço de pautas consideradas estratégicas para o setor agropecuário brasileiro.
Setor comemora decisão
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou que o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa pela China fortalece a relação comercial entre os dois países e pode abrir espaço para a ampliação dos negócios envolvendo produtos de origem animal.
“Para a cadeia da carne bovina, a decisão traz ainda mais segurança e previsibilidade para o comércio entre Brasil e China. Principal destino das exportações brasileiras do produto, a China desempenha papel fundamental para o setor, e esse avanço reforça a confiança construída ao longo dos anos, criando condições para o aprofundamento das relações comerciais e para a geração de mais oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva”, diz a nota.
Mauro Vieira destaca parceria estratégica
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou na segunda-feira (1º) que a parceria estratégica entre Brasil e China se torna “mais relevante do que nunca” diante das atuais turbulências internacionais. O chanceler está em Pequim para participar do 5º Diálogo Estratégico Global.

Durante encontros com o vice-presidente chinês, Han Zheng, e com o ministro do Comércio, Wang Wentao, Vieira defendeu a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês e ressaltou a importância de garantir o fornecimento estável de fertilizantes ao Brasil. O ministro também se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi.
De acordo com o Itamaraty, a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e responde por 27% das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 170,9 bilhões, registrando o décimo ano consecutivo de recorde. A visita ocorre ainda no contexto das comemorações do Ano Cultural Brasil-China.
Novos investimentos
Vieira também destacou que o Brasil segue aberto à ampliação dos investimentos chineses em áreas como modernização industrial, transição energética e tecnologia de ponta.
Segundo o ministro, Brasil e China avaliam que a relação bilateral avançou em diversas frentes nos últimos anos. Entre as medidas recentes está a isenção de vistos para viagens de curta duração, iniciativa considerada pela diplomacia dos dois países como um instrumento para fortalecer os laços entre as populações e estimular o fluxo turístico.











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