Frentes debatem compromissos com pautas de logística e infraestrutura

Parlamentares defenderam políticas de longo prazo para evitar problemas recorrentes

Frentes debatem compromissos com pautas de logística e infraestrutura
Ilustrativa

O Brasil terminou 2025 como o segundo principal exportador mundial de produtos agropecuários com mais de US$ 169,2 bilhões e por pouco não superou os Estados Unidos, que lideram esse ranking. No entanto, um dos gargalos de eficiência são as questões de logística e infraestrutura. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) se juntaram para discutir compromissos com pautas relacionadas a esses temas. 

Durante o seminário “AgroPortos 2026”, as bancadas debateram, nesta quarta-feira (8), um documento em que elencam as prioridades e comprometimentos para tornar a infraestrutura brasileira uma política de Estado. A ideia é dar garantias para os investimentos no setor, sejam eles com recursos privados ou públicos.

Além dos parlamentares, a intenção é que essa discussão seja levada também para os candidatos a governos estaduais e federais para aderirem a esses compromissos. 

Daniela Reinehr“O que se propõe aqui é justamente encontrar alternativas que a gente possa oferecer a quem estará à frente do país nos próximos quatro anos, para realmente resolver os problemas que a gente tem; esses gargalos de infraestrutura que são 30% do nosso custo de produção”, disse a vice-presidente de articulação política da FPPA e integrante da FPA, deputada Daniela Reinehr (PL-SC).

Na avaliação da Confederação Nacional do Transporte (CNT), os projetos de logística em andamento no país “não tem foco de longo prazo”. Por isso, o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, destaca que o momento atual favorece uma união “para fazer uma logística de longo prazo”.

Oportunidade de investimentos

Para o coordenador da Comissão de Infraestrutura e Logística da FPA, deputado Tião Medeiros (PP-PR), o atual cenário brasileiro pode ser visto de duas formas: como um risco ou como uma oportunidade para investimentos. Segundo ele, o Brasil aporta cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, o que é abaixo de outros países como China (13%), Índia (5%) e até mesmo da média dos vizinhos da América Latina (3%). 

Um dos aspectos que o parlamentar destacou foi a falta de armazenamento, mesmo com uma produção crescente. De acordo com as últimas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher 353,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026, o que representaria um novo recorde. No entanto, uma boa colheita nem sempre corresponde a um bom retorno aos produtores, como pontuou Medeiros.

Tião Medeiros“Como a agricultura cresceu, e cresceu muito, a armazenagem estacionou, não conseguiu acompanhar o desenvolvimento do campo. […] Quando chega no momento da colheita, o produtor precisa escoar logo, ele não tem como segurar. Aí você tem uma pressão em cima do frete, para escoar rápido. Também tem uma pressão em cima dos terminais que precisam embarcar esses grãos e, ainda, em cima do contratante de navio do armador”, explicou o deputado.

Além dos deputados Daniela Reinehr e Tião Medeiros, outros membros da FPA estiveram presentes na discussão como o deputado Arthur Maia (União-BA) e o senador Sérgio Petecão (PSD-AC).