“Boi-China” sobe R$ 7/@ em 7 dias corridos e fica perto dos R$ 360/@ em SP

“Quem tem, não vende. Quem vende, está duro na queda; ao comprador, resta ofertar mais”, diz o analista Felipe Fabbri, da Scot Consultoria

“Boi-China” sobe R$ 7/@ em 7 dias corridos e fica perto dos R$ 360/@ em SP
Ilustrativa

O “boi-China” subiu mais R$ 1/@ no mercado de São Paulo, alcançando R$ 357/@, no prazo, apurou a Scot Consultoria.

Em relação aos preços de uma semana atrás (R$ 350/@), o animal com padrão-exportação acumula valorização de R$ 7/@, de acordo com os dados da Scot.

Neste momento, acrescentam os analistas da consultoria, há negócios acima da referência no mercado paulista – em R$ 360/@ – , porém com baixo volume para consolidar referência.

Especialistas da Agrifatto, consultoria que cobre diariamente os negócios em 17 praças brasileiras, destacam que o mercado físico do boi gordo vive um período de valorização consistente, com indícios de negócios acima dos preços de tabela não só em São Paulo, mas em outras tradicionais regiões pecuárias.

“No mercado paulista, ocorreram negociações pontuais a R$ 360/@, contudo, devido ao baixo volume, esse patamar ainda não se consolidou como referência, o que tende ocorrer em breve”, reforça a Agrifatto.

Pelos números da Scot, o boi gordo sem perfil para o mercado externo está valendo R$ 352/@ (prazo) no mercado paulista.

“Quem tem, não vende. Quem vende, está duro na queda; ao comprador, resta ofertar mais”, relata o zootecnista Felipe Fabbri, da Scot, referindo-se à estratégia bem-sucedida de negociação adotada atualmente pelos pecuaristas brasileiros.

Desde o início da segunda quinzena de março, informa Fabbri, o mercado do boi gordo segue firme, com valorização nos preços da arroba em 24 praças pecuárias, recuo em apenas 3 e estabilidade em 6 delas.

“A oferta menor e a demanda aquecida sustentam o mercado até então”, observa o analista.

Dados dos abates no Sistema de Inspeção Federal (SIF) apontam que o primeiro trimestre de 2026 apresenta redução no abate de fêmeas na comparação anual, destaca ele.

Para o curtíssimo prazo e para o mês de abril, prevê Fabbri, a expectativa de retração da oferta de boiadas gordas, além de uma demanda que dá sinais de, ao menos, manutenção, indica mercado firme, com tendência de alta nos preços da arroba.

Porém, pondera o analista, o descarte de fêmeas que não emprenharam e o avanço do outono podem aumentar a oferta – movimento historicamente sazonal – e pressionar, pontualmente, o mercado. No entanto, reforça Fabbri, em 2026, o clima tem “sido amigo do pecuarista”.

“Entre 23 de fevereiro e 24 de março, choveu ao menos 50 milímetros pelas regiões brasileiras. Além do bom volume precipitado, a temperatura média ficou mais amena em 2026, comparada com 2025, o que deve manter o poder de negociação mais favorável ao vendedor de boiadas ao longo do próximo mês”, ressalta Fabbri.

De olho nos conflitos externos

Na avaliação do analista da Scot, o cenário geopolítico global conturbado (conflito no Oriente Médio e salvaguarda chinesa) requer atenção.

Mas, por ora, as turbulências externas seguem tendo impacto reduzido na demanda internacional por carne bovina.

“É verdade que, após recordes no primeiro bimestre, o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina desacelerou a partir da metade de março/26, mas caiu apenas 1,7% na comparação com março de 2025, o melhor março da história, enquanto o preço por tonelada, em dólares, avançou 18% e o faturamento do setor, também em dólares, 16%”, observa Fabbri.

Na B3, o fechamento dos contratos futuros, por enquanto, está precificando este movimento, com a curva de preços no primeiro semestre acima das referências para o segundo semestre/26, destaca o analista.