Crise nos preços marca início da colheita de arroz em Santa Catarina
Queda nas cotações e estoques elevados pressionam rentabilidade do setor orizícola no estado
O clima era de festa, mas também de preocupação quando produtores rurais, técnicos, pesquisadores e representantes do setor orizícola se reuniram na Fazenda Limoeiro, em São João do Itaperiú, para darem início à 8ª Abertura Oficial da Colheita de Arroz de Santa Catarina.
A cerimônia oficial, na última sexta-feira (23), simboliza o começo da safra 2025/2026. Ela também reflete um cenário econômico bicudo para quem vive do cultivo do grão no estado.
Nos últimos meses, a cadeia produtiva do arroz tem sido pressionada por uma queda acentuada no preço pago ao produtor, que chegou a perder mais de metade do seu valor, e pelos estoques elevados que mantêm os preços baixos.
Esta é uma das maiores crises de rentabilidade da última década, alerta o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz SC).
Dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que o estoque nacional de arroz em casca está em torno de 2,5 milhões de toneladas, ou seja, volume considerado elevado frente a demanda atual, o que dificulta a valorização do produto no mercado.
No caso catarinense, a saca de arroz, que antes tinha valor mais estável, é hoje comercializada por menos de R$ 50, em média, um patamar que, segundo a instituição, mal cobre os custos de produção.
Para o presidente do Sindicato, Walmir Rampinelli, o setor precisa mais do que nunca trabalhar junto “para encontrar soluções estruturais que deem fôlego à atividade”.

Redução
De acordo com estimativas do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), a safra de arroz 2025/2026 em Santa Catarina apresenta retração em todos os indicadores produtivos. A área plantada teve queda de 1,28%, totalizando 143.433 hectares.
A produtividade média também caiu 4,89%, chegando a 8.509 kg por hectare. A quantidade total produzida deverá sofrer uma queda de 6,11%, com estimativa de 1.220.462 toneladas colhidas no Estado.
Ainda assim, a expectativa de quem está no campo é que a colheita siga com ritmo constante e que os resultados não tardem a refletir os esforços e investimentos feitos nos últimos meses.








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