Boi gordo: incertezas elevam queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos

Conflito no Oriente Médio encerrou tendência de alta da arroba, endurecendo as negociações nas primeiras semanas de março, afirmam analistas

Boi gordo: incertezas elevam queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos
Ilustrativa

O conflito geopolítico no Oriente Médio elevou o nível de incerteza no mercado brasileiro do boi gordo, alterando a dinâmica de negociação entre frigoríficos e pecuaristas, informa nesta terça-feira (10/3) a Agrifatto, que identificou redução nos preços da arroba em 5 das 17 praças monitoradas diariamente – em GO, MG, MS, MT e RO. Nas demais regiões, as cotações ficaram estáveis, acrescenta a consultoria.

Pelos dados a Scot Consultoria, no mercado paulista, os preços seguiram estáveis nesta terça-feira, com o boi gordo sem padrão cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está valendo R$ 350/@ (valores brutos, no prazo)..

“Embora tanto o mercado interno quanto o externo mantenham bom ritmo, lideranças da pecuária avaliam que parte da indústria frigorífica tem utilizado o cenário internacional como argumento para tentar pressionar as cotações do animal terminado”, relata a Agrifatto.

Na prática, continua a consultoria, os compradores passaram a agir com maior cautela, o que reduziu o volume de negócios em algumas praças relevantes.

“Parte dos frigoríficos diminuiu o ritmo de abates para ganhar tempo e alongar as escalas, buscando negociar com mais tranquilidade”, ressalta a Agrifatto.

Ainda assim, de acordo com levantamento da consultoria, as programações de abate das indústrias brasileiras permanecem curtas, com média nacional de atendimento entre 6 e 7 dias úteis.

Do lado de dentro das porteiras, os pecuaristas mantêm postura firme, sustentada pelas boas condições das pastagens. Dessa maneira, muitos produtores preferem segurar a boiada no campo à espera de dias melhores.

“Nesse contexto, surgiram tentativas de compra com valores mais baixos no balcão, em um ambiente marcado por forte especulação e “queda de braços” entre as pontas”, reforçam os analistas da Agrifatto.

No curto prazo, prevê a consultoria, o mercado aponta para um viés de oscilação mista nos preços do boi gordo, com possibilidade de ajustes negativos moderados à medida que se avança para a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor apelo de consumo, devido à queda de poder aquisitivo da população.

Futuros sobem

No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo oscilaram entre quedas moderadas e altas pouco expressivas ao longo da semana passada e início desta, reforçando o clima de cautela.

Na segunda-feira (9/3), os preços futuros do boi subiram pelo segundo dia consecutivo. O principal destaque foi o contrato com vencimento em abril de 2026, que encerrou cotado a R$ 344/@, com avanço de 1,78% em relação ao dia anterior.