Crise de preços na suinocultura: Os desafios do início de 2026

O setor de suinocultura no Brasil iniciou o ano de 2026 enfrentando um cenário de forte pressão deflacionária.

Crise de preços na suinocultura: Os desafios do início de 2026
Ilustrativa

De acordo com dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações de praticamente todos os elos da cadeia — desde o animal vivo até os cortes processados no atacado — registraram recuos expressivos em diversas regiões produtoras do país. Esse movimento não é fruto de um fator isolado, mas sim de uma convergência de elementos sazonais e estruturais que desafiam a rentabilidade do produtor.

O Peso da Sazonalidade e o Consumo Interno

Historicamente, o mês de janeiro é um período de cautela para o consumo de proteínas animais no Brasil. Dois fatores principais explicam a retração da demanda doméstica citada por agentes do setor:

Férias Escolares: A interrupção das aulas reduz drasticamente o volume de carne suína destinado à merenda escolar e a restaurantes universitários, retirando um volume importante de circulação diária.

Orçamento das Famílias: O início de ano é marcado por despesas fixas pesadas, como IPVA, IPTU e materiais escolares. Com o poder de compra mais restrito, o consumidor final tende a migrar para proteínas mais baratas ou reduzir a frequência de compra.

Somado à demanda enfraquecida, observa-se uma maior oferta de animais vivos. Lotes que foram planejados para o pico de consumo do final de ano e que, porventura, não foram totalmente absorvidos, agora pressionam o mercado físico, forçando os preços para baixo à medida que o custo de manutenção desses animais nas granjas se torna insustentável. Clique aqui e acompanhe o agro.

A Estratégia de Escoamento via Exportação

Diante de um mercado interno saturado e com preços em queda livre, a indústria frigorífica brasileira acionou seu principal mecanismo de defesa: a exportação. Quando a rentabilidade doméstica se deteriora, o foco se volta para o mercado externo, onde as negociações em dólar ajudam a equilibrar o balanço financeiro das empresas.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam essa movimentação. A média diária de embarques nesta parcial de janeiro mantém-se em um patamar robusto, próximo a 5,1 mil toneladas. Esse volume é consistente com o desempenho observado ao longo de 2025, o que indica que a carne brasileira continua com boa aceitação e competitividade no exterior, especialmente em mercados asiáticos e leste-europeus.

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Impactos na Cadeia Produtiva

A queda nos preços atinge de forma distinta, confira:

Produtores Independentes: São os mais afetados, pois muitas vezes não possuem contratos de integração que garantam um preço mínimo, ficando expostos à volatilidade do mercado físico.

Frigoríficos: Embora sofram com a queda de preços no atacado, conseguem mitigar perdas através do “mix de canais”, compensando o baixo preço interno com o volume das exportações.

Consumidor Final: Na ponta da linha, a queda nos preços no atacado deve, gradualmente, chegar às gôndolas dos supermercados, oferecendo um alívio temporário na inflação de alimentos.

Perspectivas para o Próximo Trimestre

Para que o setor recupere o fôlego, é necessária uma normalização dos estoques e o retorno pleno das atividades institucionais (escolas e empresas) em fevereiro. A manutenção do ritmo de exportações será o fiel da balança para evitar que o excesso de oferta interna derrube ainda mais as cotações.

A suinocultura brasileira demonstra, mais uma vez, dependência estratégica do comércio global. Enquanto o mercado interno tenta se reequilibrar após as festas de fim de ano, os portos seguem como a válvula de escape essencial para a sobrevivência econômica do setor.

AGRONEWS