Preços do boi gordo seguem firmes neste começo de janeiro/26

Na praça paulista, o animal sem padrão-exportação segue cotado em R$ 317/@, enquanto os lotes de “boi-China” são negociados por R$ 322/@, informa a Scot Consultoria

Preços do boi gordo seguem firmes neste começo de janeiro/26
Ilustrativa

O mercado do boi gordo fechou a terça-feira (6/1) com preços firmes nas principais praças brasileiras, sustentados pelo bom escoamento de carne bovina no mercado interno e pelo ritmo forte das exportações, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

Com isso, na praça paulista, referência para as demais regiões pecuárias, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 317/@, o “boi-China” em R$ 322/@, a vaca gorda em R$ 302/@ e a novilha em R$ 312/@, de acordo com apuração da Scot Consultoria.

No apagar das luzes

No apagar das luzes de 2025, relata a Agrifatto em seu boletim informativo, a China, principal destino da carne bovina in natura brasileira, anunciou uma política de salvaguarda para proteger sua produção doméstica, estabelecendo cotas anuais específicas aos países fornecedores e uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem esses limites (veja a tabela abaixo).

China impõe salvaguarda à carne bovina importada (em milhões de toneladas) 
País 2026 2027 2028
Brasil 1,106 1,128 1,154
Argentina 0,511 0,521 0,532
Uruguai 0,324 0,331 0,337
Nova Zelândia 0,206 0,210 0,214
Austrália 0,205 0,209 0,213
Estados Unidos 0,164 0,168 0,171
Outros países e regiões 0,172 0,175 0,179
Total 2,688 2,742 2,797
Fonte: Scot Consultoria

As medidas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026, e têm duração prevista de três anos, até 31 de dezembro de 2028, com previsão de aumento anual das cotas para cada país-fornecedor.

Com isso, a partir de janeiro de 2026, passou a valer uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para importações do Brasil e o volume que exceder esse limite será taxado em mais 55%, além da tarifa de 12% já existente (total de 67% fora da cota).

O Brasil é maior fornecedor mundial de carne bovina à China, para onde é direcionado mais de 50% dos embarques totais.

Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos Estados Unidos.

Segundo a Agrifatto, o anúncio sobre a salvaguarda chinesa acendeu o sinal de alerta entre produtores e frigoríficos brasileiros, diante do risco de dificuldade no escoamento da produção, pressão sobre os preços e redução das margens, caso as vendas ultrapassem a cota.

“O mercado passou a avaliar como essa restrição pode afetar o fluxo das exportações e a formação de preços da arroba no mercado interno”, observam os analistas da Agrifatto.

Apesar da apreensão inicial, logo após a medida imposta do governo de Pequim, os importadores da China voltaram às compras pagando mais pela proteína.

De acordo com os dados levantados pela Agrifatto, a tonelada do dianteiro desossado, por exemplo, avançou de US $5.400 para US $5.800, mantendo viés de alta.