Endividamento no campo será debatido durante congresso em São Paulo

O Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio será realizado, no dia 30 de março, no Hotel Renaissance, em São Paulo

Endividamento no campo será debatido durante congresso em São Paulo
Ilustrativa

Um dos temas mais sensíveis para o agronegócio brasileiro – o crédito rural em um cenário de restrição financeira e aumento do endividamento no campo – estará em debate no dia 30 de março durante o painel “Seguro e financiamento rural: sustentabilidade e crise do crédito”, no Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio (CBDA).

Especialistas do setor privado, do sistema financeiro e do Judiciário irão analisar os desafios jurídicos e institucionais do financiamento ao produtor em um momento de maior pressão sobre as margens e de dificuldades para renegociação de dívidas.

Marcelo Fraga, gerente jurídico do Grupo Amaggi (Foto: Divulgação)

“O agronegócio brasileiro é um sistema cuja viabilidade depende cada vez mais do financiamento privado, especialmente da atuação das multinacionais de grãos. Diante da atual crise de crédito, a segurança jurídica se torna um elemento central para a confiança dos financiadores e para a sustentabilidade econômica do setor”, afirma Marcelo Fraga, gerente jurídico do Grupo Amaggi, em nota.

Outro ponto de destaque será a evolução institucional do setor, simbolizada pelos mais de 30 anos da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento considerado fundamental para o desenvolvimento do crédito rural no país.

Já a superintendente jurídica do Itaú Unibanco, Andréa Aranha Greco, abordará “as dificuldades enfrentadas por credores para excutir garantias fiduciárias em processos de recuperação judicial”, especialmente quando o devedor alega a essencialidade dos bens dados em garantia.

Moderado por Pauleandro Duarte, head jurídico do Grupo Rabobank para a América do Sul, o painel contará também com a participação do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Ricardo Villas Bôas Cueva, e do juiz de Direito Thiago Castelliano, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Para o presidente do IBDA, Renato Buranello, embora o cenário do agronegócio brasileiro pareça positivo à primeira vista — com safra recorde e posição estratégica do país na produção de alimentos, fibras e bioenergia — os próximos anos tendem a ser desafiadores.

“Os fundamentos estruturais do setor permanecem sólidos. No entanto, 2025 e 2026 refletem os efeitos de um ciclo recente de forte expansão do crédito. Observamos margens mais pressionadas e um número crescente de empresas da cadeia produtiva enfrentando dificuldades semelhantes”, afirma.

Segundo Buranello, essa fase de ajuste não deve se dissipar no curto prazo. “Ao contrário, tende a se estender ao longo de todo o ano de 2026, agravada por fatores como o calendário eleitoral e a realização da Copa do Mundo. Historicamente, em anos eleitorais, temas estruturantes costumam avançar com menor intensidade”.

Para inscrições presenciais ou on-line, clique AQUI

Fonte: Ascom IBDA